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França

O sentido da palavra ‘apartheid’ no momento atual

A menção da palavra 'apartheid' pelo premier francês provoca reações na França

O sentido da palavra ‘apartheid’ no momento atual
Trappes é o exemplo do que o premier da França chamou de 'apartheid territorial' (Foto: Reprodução/AFP)

Com o patê de coelho caseiro e cortes frescos de carne, o açougue de Rémy Mirleau é típico das cidades da França, assim como a bandeira tricolor hasteada na prefeitura. Mas em Trappes, uma cidade com um antigo governo local comunista a sudoeste de Paris, o açougue do Sr. Mirleau é conhecido por outra característica: é o único que não prepara a carne de acordo com as leis mulçumanas. Com uma grande população mulçumana, Trappes é o exemplo do que Manuel Valls, o primeiro-ministro da França, desafiadoramente chamou de “apartheid territorial”. No entanto, essa cidade também mostra os vínculos complexos entre segregação, um Estado laico agressivo e a ascensão do jihadismo.

Um enclave da classe trabalhadora que cresceu em torno de uma estação de trem, Trappes tem uma mistura vibrante de línguas e crenças comum em muitos subúrbios franceses. O percentual de crianças nascidas de pelo menos um dos pais de origem estrangeira em Trappes aumentou de 9% em 1968 para 61% em 2005, segundo os demógrafos. Antes com uma população na maioria portuguesa, hoje a maioria da população tem raízes no Marrocos e na Argélia. Quase dois terços das moradias pertencem ao Estado. A taxa de pobreza de 24% em Trappes é quase duas vezes maior do que a média na região de Paris. Nos conjuntos habitacionais de Les Merisiers, perto de uma nova mesquita rodeada por pequenas palmeiras, a taxa é de 42%.

O governo afirma que essas comunidades de baixa renda são muito problemáticas. “O risco nesses territórios”, disse Valls, um ex-prefeito de um subúrbio multicultural, é que o “extremismo, a criminalidade e o islamismo radical encontram um lugar propício para se desenvolver”. Ele argumentou que a França deveria encarar a realidade da segregação em seus subúrbios.

 

Fontes:
The Economist - Apartheid or just apart?

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