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Crise de refugiados

O silêncio dos líderes africanos diante das mortes no Mediterrâneo

É reveladora a falta de reação de líderes africanos diante do massacre de seus cidadãos que tentam atravessar o Mediterrâneo

O silêncio dos líderes africanos diante das mortes no Mediterrâneo
Africanos estão se afogando às centenas, juntamente com sírios e afegãos (Foto: Reprodução/Flickr)

Em meio aos gritos de alarme globais sobre as mortes de imigrantes africanos no Mediterrâneo, há um notável silêncio: onde estão as vozes apaixonadas de líderes africanos que, sem dúvida, deveriam gritar mais alto que todos?

Seus cidadãos estão se afogando às centenas, juntamente com sírios e afegãos, mas  poucas palavras angustiadas foram ditas por líderes do continente.

A presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, tardiamente expressou “condolências” e pediu mais “diálogo”. O presidente do Senegal, Macky Sall, ofereceu uma “saudação à memória das vítimas.” Mas além dessas observações, a relativa falta de reação é reveladora.

“Enquanto o Ocidente tem alguma responsabilidade por esse massacre, os líderes africanos, por sua vez, estão mudos diante desse espetáculo sem precedentes, o que é uma prova de seu fracasso”, diz um editorial do jornal senegalês Le Quotidien publicado na semana passada .

“Pelo menos houve uma onda de indignação entre os europeus, confrontados por essas mortes no Mediterrâneo”, escreveu o Le Quotidien. “É como se os nossos líderes, que não oferecem qualquer esperança aos nossos jovens desempregados, estivessem dizendo a si mesmos: “Tanto melhor, pelo menos, isso irá reduzir a taxa de desemprego!'”

Para muitos, a resposta silenciosa da África é um reconhecimento implícito de que, no mínimo, os líderes africanos não estão chocados que dezenas de milhares de seus cidadãos preferem se arriscar a morrer no mar a suportar as dificuldades e as oportunidades limitadas em casa.

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