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ANTIGUIDADES E TERROR

O terrorismo e suas ‘antiguidades de sangue’

Peças arqueológicas saqueadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico são vendidas nos mercados internacionais de arte para financiar suas atividades

O terrorismo e suas ‘antiguidades de sangue’
Sítios arqueológicos da Síria e do Iraque são saqueados pelos terroristas, que comercializam os artefatos (Foto: Wikipedia)

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O atentado terrorista do Estado Islâmico a Paris em 13 de novembro, não foi apenas um ataque fatal a seres humanos inocentes, mas também representou uma agressão à civilização ocidental. Os terroristas atacaram uma cidade cujos museus, monumentos e locais antigos simbolizam o mais puro refinamento de ideais elevados e da criatividade humana.

O mundo está assistindo à conexão mortal e crescente entre a cultura sofisticada das metrópoles ocidentais e os objetivos terríveis do grupo autodenominado Estado Islâmico (EI), ISIS, ISIL ou Daesh. Em fevereiro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas declarou que o tráfico de antiguidades de sítios arqueológicos da Síria e do Iraque é um dos meios de financiamento do terrorismo e pediu que os Estados-membros tomassem medidas rigorosas para impedir esse comércio ilícito.

Nos Estados Unidos o Federal Bureau of Investigation (FBI) encarou com seriedade o pedido. Em agosto, o FBI enviou uma advertência aos negociantes de arte americanos, avisando-os que se negociassem objetos culturais saqueados de sítios arqueológicos do Iraque e da Síria seriam processados segundo as leis de combate ao terrorismo dos EUA. O FBI mencionou que o Departamento de Estado norte-americano tinha conhecimento de saques do EI em escala “industrial” de sítios arqueológicos ocupados pelos jihadistas nesses dois países. A diretora do Art Theft Program do FBI, Bonnie Magness-Gardiner, disse que existem “relatos confiáveis” de cidadãos americanos a quem ofereceram objetos culturais roubados de sítios arqueológicos de regiões controladas pelo EI.

E quanto ao mercado de arte de Londres, que se iguala ao de Nova York como um centro de expertise na preservação, exposição e, talvez ainda mais importante, na venda de grandes obras de arte do mundo inteiro? Boris Johnson, o prefeito de Londres, responsável pelo policiamento da cidade, afirmou há pouco tempo que fará tudo que estiver ao seu alcance para reforçar a luta contra o comércio de antiguidades saqueadas pelo Estado Islâmico, em Londres. A tarefa de impedir que os jihadistas vendam obras de arte nos mercados internacionais de antiguidades deveria ser um trabalho conjunto de todas as partes interessadas, desde casas de leilões, galerias de arte, compradores e o público em geral.

Fontes:
The Economist-Culture and jihad, grimly connected through the art market's “blood antiquities”

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