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Liberdade na Internet

O tortuoso caminho rumo ao fim da censura na China

Após a prisão de muitos ativistas, empresas de internet norte-americanas que atuam na China deixaram de compactuar com o governo e passaram a condenar a repressão à liberdade de expressão

O tortuoso caminho rumo ao fim da censura na China
Empresas de internet passaram a limitar sua presença em países autoritários (Reprodução/Internet)

O dia 23 de abril de 2002 foi um momento crítico para a relação das empresas de internet norte-americanas com a China, ainda que poucos percebessem à época. Naquele dia, a agência de segurança estatal de Pequim solicitou informações do escritório da Yahoo! no país a respeito do criador de um fórum online, bem como a respeito de cadastros de e-mails e mensagens, em um caso denominado pela agência como de “incitação à subversão”. O Yahoo! atendeu a essa e mais uma solicitação naquele ano, o que fez com que as autoridades chegassem a Wang Xianong, um ativista pró-democracia que estava anonimamente usando o fórum e contas de e-mail da empresa de internet norte-americana para pressionar por eleições livres. Ele foi condenado a dez anos de prisão.

Wang, hoje com 62 anos, foi solto no dia 31 de agosto. Muita coisa mudou na internet desde a prisão do ativista, tanto na China quanto no resto do mundo. As empresas norte-americanas, especialmente a Yahoo!, aprenderam com a assustadora lição oferecida por este caso. Antes deste episódio, a China era simplesmente encarada como um mercado comercial promissor. Depois, de 2002 a 2004, a Yahoo! atendeu às demandas chinesas em pelo menos três casos semelhantes ao de Wang. Essas informações vieram à tona em 2005, quando ShiTao, um jornalista chinês, foi condenado a dez anos de prisão devido a um e-mail enviado por ele a partir de uma conta da Yahoo! para um site pró-democracia estrangeiro.

A Yahoo! foi vilanizada, assim como outras empresas que cederam à pressão chinesa. Em 2005 a Microsoft deletou o blog de um ativista, MichaelAnti, e em 2006 o Google lançou uma versão chinesa censurada do seu mecanismo de busca (a empresa fechou as portas no país em 2010). Todas as três empresas foram convocadas a dar explicações em uma audiência parlamentar nos EUA em 2006. Em outra audiência parlamentar, em 2007, Jerry Yang, um dos fundadores do Yahoo!, pediu desculpas à mãe de Shi Tao. O Yahoo! também liquidou um processo por meio de acordo com as famílias de Shi e Wang, e desde então passou a condenar a repressão à liberdade de expressão.

Hoje em  dia, a Yahoo!, a Microsoft e o Google são membros da Global Network Initiative, uma organização que estabeleceu um acordo relativo à liberdade de expressão e privacidade online. Essas empresas limitaram sua presença em alguns países autoritários.

 

Fontes:
The Economist-Plus ça change

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1 Opinião

  1. Afonso Schoeder disse:

    Tortusos ou mais organizados o povo (Chinês), vendo que nos aqui na democrácia plena, fazemos os julgamentos antes de averiguar os fatos inclusive setenciando o cidadão a situações irreverssíveis, antes mesmo de ser condenado oficialmente pela justiça instituida.

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