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CORRUPÇÃO

O trágico fim da presidência de Kuczynski

Nos 20 meses em que ocupou a presidência, a população não sabia como Kuczynski pretendia ajudar o país a ter uma classe média sólida

O trágico fim da presidência de Kuczynski
O escândalo da Odebrecht será um teste de confiança dos peruanos em seus políticos e instituições (Foto: Wikimedia)

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Pedro Pablo Kuczynski teve uma despedida melancólica ao renunciar em 21 de março. O ex-banqueiro, eleito presidente com uma das mais apertadas margens da história recente do Peru, teve pouco apoio do Congresso e dos 30 milhões de peruanos. Nos 20 meses em que ocupou a presidência, a maioria da população não teve a menor ideia de como Kuczynski pretendia ajudar o país a ter uma classe média sólida e instituições fortes, como prometera.

Mas o que o derrubou foi sua ligação com a construtora Odebrecht envolvida em inúmeros escândalos de corrupção na América Latina. Em dezembro, o Congresso obteve provas que a Westfield Capital, uma empresa de propriedade de  Kuczynski, tinha prestado serviços de consultoria à Odebrecht na época em que era ministro da Economia e primeiro-ministro de um governo que assinara contratos com a construtora. Ele negou ter tido contato com a empresa. O Congresso, no qual o partido de Kuczynski detinha apenas 15 das 130 cadeiras, iniciou o processo de impeachment.

Kuczynski conseguiu impedir a conclusão de seu processo de destituição em dezembro, por meio de um acordo em que violou princípios morais básicos. Kenji Fujimori e outros nove parlamentares do partido de oposição Força Popular abstiveram-se de votar no impeachment. Dias depois, Kuczynski concedeu indulto ao pai de Kenji, Alberto Fujimori, um ex-presidente condenado a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos.

Kuczynski foi eleito com uma plataforma antifujimorista, tendo como adversária a filha do ex- presidente, Keiko, líder da Força Popular. Com o indulto, Kuczynski perdeu sua base de oposição ao fujimorismo e fortaleceu Keiko, cujo partido é majoritário no Congresso.

Os parlamentares da oposição reiniciaram o processo de impeachment neste mês, citando novas provas de negócios questionáveis com a Odebrecht. Wilbert Rozas, do partido de esquerda Frente Ampla, disse que o presidente “demonstrara zero de percepção da necessidade de separar os interesses públicos dos privados”. Sua queda ficou inevitável com a exibição de um vídeo em 20 de março, no qual Kenji Fujimori prometia a outro congressista a realização de obras públicas em seu distrito eleitoral, em troca do voto contra o impeachment. Abandonado por seus aliados, Kuczynski renunciou.

Com a saída de Kuczynski, a situação política volta à calma. Seu sucessor é o vice-presidente, Martín Vizcarra, atual embaixador no Canadá. Como governador do pequeno estado de Moquegua, no sul do país, ele melhorou o ensino público, com excelentes resultados nos exames de avaliação nacional. Vizcarra também concluiu um acordo para exploração de uma grande mina de cobre entre a multinacional Anglo American e as comunidades vizinhas, uma negociação bastante difícil.

Vizcarra precisa mostrar logo que é diferente de seu predecessor. “Ele vai perder rapidamente apoio se mantiver o mesmo tipo de ministério, com ministros mais interessados em negócios particulares do que em governar”, disse Eduardo Dargent, um cientista político da Universidade Católica, em Lima.

O escândalo da Odebrecht será um teste de confiança dos peruanos em seus políticos e instituições. O ex-diretor da construtora no Peru disse em fevereiro que a Odebrecht financiou as campanhas dos quatro últimos presidentes, entre eles Kuczynski. Vizcarra precisa garantir que as investigações sejam as mais transparentes possíveis, mesmo com o risco de revelações graves.

Fontes:
The Economist-The short unhappy presidency of Pedro Pablo Kuczynski

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1 Opinião

  1. Daniela Villa disse:

    No Perú o presidente corrupto renuncia. No Brasil eles se agarram no cargo e os condenados ficam perambulando pelo país insuflando a rebelião popular. Com a conivência da corte suprema.

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