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Mulheres e o niqab

O uso do niqab: religioso, malicioso ou ameaçador?

Ultimamente, o niqab, o véu que cobre o corpo inteiro, tem sido usado de modo menos usual

O uso do niqab: religioso, malicioso ou ameaçador?
Alguns países restringiram o uso do niqab por considerarem o véu um símbolo da repressão feminina (Reprodução/Internet)

Alguns mulçumanos acreditam que cobrir o rosto das mulheres, assim como o corpo, protege sua virtude. Mas o véu que cobre o corpo inteiro tem tido outras funções. Em uma das histórias de As mil e uma noites, uma coletânea de contos populares árabes, o príncipe Ardashir entra furtivamente no quarto da princesa Hayat al-Nufus ajudado por sua dama de companhia, que o cobre com um véu e lhe ensina um modo de andar feminino; em outra história o rei Shah Zaman surpreende a esposa de seu irmão, o rei Shahryar, divertindo-se com as brincadeiras de vinte jovens escravas, sendo que dez delas, ao tirarem o véu, eram homens bem viris.

Ultimamente, o niqab, o véu que cobre o corpo inteiro, tem sido usado de modo menos prazeroso. Em 13 de dezembro, as autoridades do Iêmen declararam que a polícia matara diversos militantes da Al Qaeda disfarçados de mulheres cobertas por véus. Em 1º de dezembro uma mulher com um véu negro apunhalou até a morte um professor americano em um shopping center em Abu Dhabi.

O incidente provocou uma rara discussão acalorada no golfo Pérsico, a maioria no Twitter e em outras redes sociais, se o uso do niqab deveria ser restringido por medida de segurança.

Alguns países restringiram o uso do niqab por ser um símbolo da repressão feminina (ou por precaução contra usos indevidos). A França e a Bélgica proibiram o uso do véu em público. A maioria mulçumana na Turquia evita que as mulheres usem véus em alguns lugares. Algumas mulheres, no entanto, alegam que o niqab lhes dá liberdade e que as proibições infringem seus direitos. Mas em julho O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos manteve a proibição do governo francês promulgada em 2011.

 

Fontes:
The Economist-Hidden benefits

2 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Sim, é verdade: conforme o Art. 5º , cláusula IV: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.
    Mas entendo que a questão prática do uso de tal indumentária é muito mais pelo problema imediato da segurança pública. O véu que cubra apenas os cabelos (o ‘hijab’) não apresenta problema algum, e equivale ao uso de um crucifixo por um católico devoto, ou do ‘kippah’ por um judeu praticante, mas cobrir totalmente a face e o corpo… não é adequado, para a nossa sociedade, nos dias de hoje.
    De resto< vale sempre lembrar que o Brasil é um país laico, e convém que assim permaneça, em respeito à liberdade religiosa, que também um direito constitucional!

  2. Ludwig Von Drake disse:

    O ocidental mediano (nós), usa as categorias interpretativas dos próprios costumes para interpretar o costume alheio. É evidente que não vai entender nada. Nunca. No Brasil, cuja herança cultural tupi-guarani nos facilita andar semi-nus (ou mal-vestidos), o Niqab seria proibido porque a Constituição assegura a liberdade de expressão mas veda o anonimato.

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