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Energia Nuclear

Obama pretende renovar acordo nuclear com a China

Acordo preocupa especialistas porque permite a compra pelos asiáticos de mais reatores, equipamentos e tecnologia para processar plutônio

Obama pretende renovar acordo nuclear com a China
Obama e o presidente chinês, Xi Jiping durante encontro em março de 2014. Congresso teme que a tecnologia seja usada para fins bélicos (Foto: AP Photo/Pablo Martinez Monsivais)

O presidente Barack Obama enviou uma notificação ao Congresso americano avisando que ele pretende renovar um acordo de cooperação nuclear com a China. A negociação permite aos asiáticos comprar mais reatores, equipamentos e tecnologia para processar plutônio, desenvolvidos pelos americanos. Os chineses também poderão adquirir tecnologia para refrigeração de reatores, que poderia ser utilizada para tornar seus submarinos mais silenciosos, dificultando sua detecção.

A notificação formal, enviada em 21 de abril sem aviso prévio e sem menção na agenda oficial do presidente, não chamou a atenção de jornalistas. A manobra reflete a preocupação da administração em não alarmar membros do Congresso e especialistas em proliferação nuclear que estão temerosos com o crescimento do poder naval chinês e a possibilidade da tecnologia nuclear cair nas mãos de pessoas mal-intencionadas.

Agora os parlamentares americanos estão voltando suas atenções ao acordo. O Comitê de Relações Exteriores do Senado agendou uma reunião de portas fechadas com cinco agentes do governo Obama nesta segunda-feira, 11, para ouvir os termos comerciais, políticos e de segurança da extensão do acordo. As conversas privadas irão permitir ao diretor nacional de inteligência analisar o sistema de controle de exportação nuclear para a China.

Potências parceiras

A vontade da Casa Branca em firmar o acordo com Pequim demonstra como as duas nações, apesar de muitas desconfianças, vêm atuando como parceiros em vários assuntos. O grupo industrial Instituto de Energia Nuclear, argumenta que o acordo facilitará a venda de muitos reatores à China, o maior mercado de energia nuclear no planeta.

Os parlamentares podem votar o bloqueio do acordo, porém, se não tomarem nenhuma atitude durante o período de revisão, o trato entrará em vigor. De acordo com um alto funcionário do governo, que falou ao Washington Post sob condição de anonimato, uma rejeição do Congresso poderia ser ruim.

“Isso permitiria que outro país, com menor nível de controle sobre a produção nuclear, preenchesse esse vazio. Nós temos que analisar isso profundamente. Sem o trato, pressionaríamos os chineses a avançar na própria produção.”

Revisão será ampla

Embora o acordo atual expire somente no fim do ano, o governo é obrigado a notificar o Congresso com 90 dias úteis de antecedência.

“Estamos apenas começando o que será um processo de revisão robusto. Estes acordos podem ser ferramentas valiosas para promover os interesses dos EUA, mas eles devem apoiar, e não debilitar, os objetivos de não-proliferação nuclear”, disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bob Corker.

Fontes:
Washington Post-Obama’s quiet nuclear deal with China raises proliferation concerns

1 Opinião

  1. Hugo Leonardo Filho disse:

    Nessa crescente união dos falcões com o urso panda, nós (os emergentes) vamos acabar virando bode-expiatório.

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