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Paradoxo ambiental

Obama fala em prol do Ártico, dias após liberar exploração da região

Discurso de Obama em prol da preservação do Ártico no Alasca ganha tom teatral, após presidente autorizar a Shell a explorar a região

Obama fala em prol do Ártico, dias após liberar exploração da região
Segundo Obama, 'não estamos agindo rápido o suficiente', para conter as mudanças climáticas (Foto: Flickr)

A viagem do presidente americano Barack Obama ao Alasca chega ao fim nesta quinta-feira, 3, marcada por um paradoxo. Obama declarou que sua viagem tinha como objetivo chamar atenção para os efeitos do aquecimento global no Ártico.

No discurso de 24 minutos que fez na cidade Anchorage, a mais populosa do Alasca, Obama afirmou quatro vezes que “não estamos agindo rápido o suficiente”, para conter as mudanças climáticas. A mensagem vem no momento em que se aproxima a Conferência do Clima deste ano, que será em dezembro, em Paris.

A visita ao Alasca é a última parada de um “tour verde” criado pela Casa Branca para reforçar a posição de Obama como um dos presidentes americanos mais preocupados com a questão, além de reafirmar a liderança dos EUA nas negociações da conferência de dezembro.

O problema é o paradoxo gerado pela atitude de Obama. A viagem do presidente americano ganhou um tom teatral, pois há 15 dias ele suspendeu o veto da exploração de petróleo no Árico, autorizando a multinacional Shell a explorar o Mar de Chukchi, na costa noroeste do Alasca.

O veto não poderia ser mantido facilmente, já que em 2008 a Shell pagou mais de US$ 2 bilhões pela licença para perfurar a região. Embora a autorização imponha fortes medidas de segurança contra derramamento de petróleo, ela foi criticada por grupos de ativistas ambientais, e criou uma sombra na mensagem do discurso de Obama.

À medida que o derretimento do Ártico acelera, mais potências mundiais correm para explorar os recursos da região. Em plena visita de Obama ao Alasca, a Guarda Costeira do estado registrou a chegada de cinco navios da Marinha chinesa no Mar de Bering, perto do Alasca. “Estamos cientes da presença de cinco navios da Marinha do Exército de Libertação Popular no Mar de Bering. É a primeira vez que detectamos a presença deles no Mar de Bering”, disse o comandante Bill Urber, porta-voz do Pentágono.

Analistas afirmam que o envio dos navios ao Mar de Bering foi uma manobra provocativa da Marinha chinesa. Ian Storey, do Instituto de Estudos para o Sudeste Asiático de Cingapura disse que a manobra “foi um acontecimento surpreendente e inesperado”.

“Ocorreu durante a vista de Obama ao Alasca, não pode ser coincidência. E provavelmente tem o objetivo de enviar aos Estados Unidos a mensagem de que o governo chinês pretende se tornar um importante ator no Ártico”, disse Storey.

Fontes:
The New York Times-Mr. Obama’s Urgent Arctic Message
Financial Times-Chinese navy ships spotted off Alaska as Obama visits Arctic

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