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Obama perde confiança do setor de tecnologia

Grandes empresários do Vale do Silício estariam desapontados com gestão do presidente norte-americano

Obama perde confiança do setor de tecnologia
Setor apoiou Obama em 2008, mas agora cobra mais incentivo tecnológico por parte da Casa Branca

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Passando pela Califórnia durante as campanhas para as eleições legislativas, Barack Obam fez questão de visitar Steve Jobs, o chefe da Apple, e também se encontrou com executivos do Google e de outras empresas do Vale do Silício. Mais do que qualquer um de seus antecessores, Obama homenageia os titãs da tecnologia, e em troca eles lhe deram elogios e doações políticas. Mas agora muitos temem que seu governo não esteja tão disposto a apoiar a inovação tecnológica quanto afirmava estar.

O grupo dos tecnológicos acreditava que o novo homem na Casa Branca era um deles. Um político enigmático com convicções fortes, Obama fez um discurso elevador durante a campanha presidencial e apostou nas mídias sociais e em outra tecnologias para formar uma nova e radical ordem política. Desde seu vício em seu aparelho BlackBerry até sua disposição para que a matemática  e a ciência fossem promovidas na educação escolar, tudo parecia indicar que Obama seria o presidente mais antenado com a tecnologia da história, e logo, não foi surpresa, que os empresários do ramo tenham declarado seu apoio a ele.

Também não é surpresa, portanto, que muitos agora se sintam desapontados. “Há o sentimento forte de que o governo precisa de uma direção”, diz Gary Shapiro, chefe da Consumer Electronics Association. Muitos de seus 2 mil membros estão relutantes quanto a investimentos na área, tamanha é a incerteza em relação às políticas futuras.

Esse é um argumento familiar. Michael Splinter, chefe da Applied Materials, que produz equipamentos para a indústria de semicondutores, é um dos principais executivos que cobrou mais empenho do governo para combater medidas que atrapalhem os investimentos. Outro ponto de atrito é a relutância de Washington em reduzir as taxas sobre lucros estrangeiros repatriados para os Estados Unidos. Muitas companhias do país conseguem boa prte de sua receita fora dele, e a brelutância do governo as afeta partiicularmente.

Para piorar, os líderes tecnológicos se revoltaram com a postura de Obama, que demoniza empregadores que buscam mão-de-obra estrangeira, o que é absolutamente comum na área tecnológica, e por seus sermões sobre os males da ganância corporativa. “Somos elogiados por criar empregos, mas ao mesmo tempo, estamos apanhando”, reclama Mark Heesen da National Venture Capital Association (NVCA), que representa fundos que investem no setor tecnológico.

A situação pode não ser tão ruim quanto parece. Afinal, a indústria tecnológica foi uma das mais beneficiadas pelos esforços de Obama para estabilizar a economia. O governo está investindo mais de US$ 100 bilhões em inovações que vão desde energia renovável até novidades tecnológicas no setor de saúde e nos carros elétricos. E adotou algumas das medidas tão esperadas pelas companhias tecnológicas, incluindo a nomeação de um chefe de tecnologia que promoverá inovações ju8ntamente com o governo federal, encorajando a Comissão Federal de Comunicações a desenvolver um plano nacional de banda larga e aumentando os esforços para promover a ciência nas escolas e universidades.

Os tecnológicos não abandonaram Obama em massa. No Vale do Silício, as doações para as campanhas democratas ainda são muito maiores que as para as campanhas republicanas. é claro que eles esperam que o primeiro presidente “tech” não frustre suas expectativas. Num discurso no Vale, Obama reiterou que quer criar condições para que os Estados Unidos gerem o próximo Google e a próxima HP. Mas ele deverá se esforçar mais para convencer a indústria de suas intenções.

Fontes:
The Economist - "End of the silicon honeymoon"

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