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ATAQUE COM DRONES

OEA propõe comissão para apurar suposto atentado a Maduro

‘Dada a falta de credibilidade da ditadura na Venezuela e o uso de tortura para incriminar, é urgente nomear a comissão’, diz secretário-geral da OEA

OEA propõe comissão para apurar suposto atentado a Maduro
Assim como a oposição venezuelana, Almagro teme que o ataque eleve a perseguição política no país (Foto: Wikimedia)

A Organização dos Estados Americanos (OEA) pode criar uma comissão de trabalho para investigar o suposto atentado contra a vida do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ocorrido no último sábado, 4. A afirmação foi feita pelo secretário-geral da OEA, Luis Almagro, através das redes sociais na última quarta-feira, 8.

“Dada a falta de credibilidade da ditadura na Venezuela e o uso de tortura para incriminar, é urgente nomear a Comissão Internacional de Especialistas para investigar as circunstâncias do ataque contra Maduro”, afirmou Almagro.

A OEA tem se mostrado bastante presente na discussão sobre a situação da Venezuela e da Nicarágua. No início desta semana, o secretário-geral da organização celebrou a reabertura da fronteira do Brasil com a Venezuela para acolher os migrantes que fogem da crise política, humanitária e econômica no país.

No último sábado, enquanto discursava no aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), Maduro supostamente teria sofrido uma tentativa de assassinato. O governo venezuelano acusa diferentes pessoas, com o apoio dos Estados Unidos e da Colômbia, de terem usado drones com explosivos C4 para atentar contra a vida do presidente.

Repressão à oposição

Desde que ocorreu o suposto atentado, a oposição teve medo de que o governo de Maduro usasse o incidente para aumentar a repressão contra políticos contrários ao seu governo. Na última terça-feira, 7, o deputado Juan Requesens, do partido Primero Justicia, e a sua irmã Rafaela Requesens, presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Central da Venezuela, foram presos.

Rafaela foi solta horas depois de ter sido apreendida, enquanto Juan permanece sob custódia, acusado de ser um dos responsáveis pelo atentado. Pelas redes sociais, a equipe de comunicação do deputado, que mantém todas as mídias ativas, informou, na manhã desta quinta-feira, 9, que “após mais de 36 horas não há informações do deputado Juan Requesens”.

Almagro também se posicionou sobre a detenção do deputado. Pelas redes sociais, o secretário-geral da OEA categorizou a prisão como “arbitraria”. “Detenções arbitrárias e tortura têm sido usadas na Venezuela para incriminar dissidentes e opositores. Ontem [terça-feira], o deputado Juan Requesens foi preso, sem cumprir o que a lei determina para nivelar sua imunidade”, escreveu Almagro.

Já na última quarta-feira, o Supremo Tribunal da Venezuela atendeu a uma denúncia de Maduro e ordenou a prisão do ex-presidente da Assembleia Nacional Julio Borges, que está exilado em Bogotá, na Colômbia. O tribunal o acusa de ser um dos participantes do suposto atentado contra a vida de Maduro.

“Na análise das atas que compõem o processo contra Julio Andrés Borges Juyent fica evidente que existem elementos que comprometem sua responsabilidade na execução flagrante do crime de homicídio doloso qualificado em grau de frustração contra o cidadão Nicolás Maduro Moros”, afirma o comunicado do tribunal.

Enquanto era acusado pela Justiça venezuelana, Julio Borges se encontrava com o presidente do Congresso da Colômbia, Ernesto Macías. Pelas redes sociais, o ex-presidente da assembleia chamou o Supremo Tribunal de “ilegítimo”, acusando-o de ignorar a Constituição.

“Enquanto constituinte ilegítimo reúne-se para continuar pisando sobre a Constituição e retira a imunidade parlamentar dos deputados eleitos, o presidente do Congresso da Colômbia, Ernesto Macías, nos acolhe para fornecer suporte completo para os venezuelanos”, escreveu Borges no Twitter.

Sobre a ordem de prisão contra Julio Borges, Luis Almagro também se posicionou, chamando a medida de “ilegítima” e o governo venezuelano de “ditadura”. “Nós exigimos a cessação de todos os ataques e perseguições políticas”, escreveu o secretário-geral da OEA.

Desconfiança com o ataque

O ataque ainda é visto com desconfiança, pois, no passado, o governo venezuelano já teria encenado falsos atentados contra Maduro para reprimir a oposição com mais força. A prisão do deputado Juan Requesens, grande crítico ao governo de Maduro, e as acusações contra Julio Borges aumentam o temor da oposição.

 

Leia também: Venezuela prende seis pessoas por atentado contra Maduro

Fontes:
El País-Suprema Corte da Venezuela ordena prisão do oposicionista Julio Borges pelo atentado contra Maduro

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