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MAIOR BENEFICIÁRIO

Omã lucra com isolamento do Catar

Omã não se envolveu no embargo diplomático ao Catar e, agora, se beneficia com o fornecimento de mantimentos e produtos básicos ao pequeno emirado

Omã lucra com isolamento do Catar
Volume da carga enviada pelo país ao Catar aumentou 30% nos últimos meses (Foto: Flickr)

Em geral, o movimento no porto de Sohar, em Omã, diminui no verão. Mas este ano, a agitação é contínua. De acordo com um funcionário do governo, os volumes de carga aumentaram 30% nos últimos meses, com o transporte de mercadorias para Catar. O movimento dos navios de carga superou o do porto de Jebel Ali, em Dubai, um dos emirados dos EAU.

Omã fica na entrada do Golfo Pérsico, mas além do estreito de Ormuz a tensão é crescente depois que Bahrein, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos romperam as relações diplomáticas e comerciais com o Catar, em razão do suposto apoio a terroristas e da aproximação com o Irã. Omã não se envolveu com o conflito e, agora, está se beneficiando com o fornecimento de mantimentos e produtos básicos ao pequeno emirado.

Omã sempre atuou como mediador de disputas na região. Mas no início da crise atual, o sultanato logo mostrou qual seria sua posição. Quando a companhia aérea Qatar Airways foi impedida de entrar no espaço aéreo da Arábia Saudita em junho, os aviões de Omã alugados pelo Catar transportaram passageiros de Jeddah para Doha. Desde então, as relações entre os dois países fortaleceram-se. Em um evento recente em Mascate para promover o investimento em Omã, cerca de 150 investidores do Catar compareceram, quando a previsão era de apenas 20.

“Estamos nos beneficiando com o bloqueio, mas não com a intenção de tirar proveito de uma situação de modo inescrupuloso, ao contrário”, disse um funcionário do governo de Omã, cauteloso em não provocar a hostilidade da Arábia Saudita e de seus aliados. Mas o sultão Qaboos bin Said se opõe à hegemonia política saudita no Golfo Pérsico. E assim como Catar, Omã mantém boas relações com o Irã. Então, se o Catar pode sofrer represálias por sua posição independente, por que Omã seria poupado?

Aos poucos, discretamente, Omã reduziu sua dependência dos vizinhos mais próximos. Além de fortalecer a relação com o Catar, o governo omani e o Irã assinaram novos acordos comerciais. Um empréstimo de US$3,6 bilhões da China, concedido no início de agosto, destinou-se ao financiamento dos gastos públicos ao longo deste ano. A China também está investindo na zona portuária e industrial da cidade de Duqm no mar Arábico, que exporta grande parte do petróleo da região.

As tentativas de mediação dos EUA, da Alemanha e do Kuwait não tiveram sucesso em solucionar o impasse criado pela Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. A decisão de Catar em 23 de agosto de restabelecer as relações diplomáticas com o Irã indica que o emirado não irá ceder às pressões de seus vizinhos. Porém, o conflito prejudica a estabilidade de uma região do Oriente Médio, que se manteve até então longe das turbulências políticas e religiosas do mundo árabe.

Fontes:
The Economist-Oman is benefiting from the standoff over Qatar, for now

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