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Mali dividido

Onde a Al Qaeda tem o poder

Localizado no meio do deserto do Saara, Mali luta para resistir à dominação da Al Qaeda

Onde a Al Qaeda tem o poder
Radicais islâmicos ligados à Al Qaeda policiam o norte do Mali (Reprodução/Internet)

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Os ataques em postos diplomáticos ocidentais no Egito, Líbia e Tunísia colocaram sob os holofotes os extremistas islâmicos do norte da África. Mas é no sul, principalmente no inóspito deserto do Saara, que grupos ligados à Al Qaeda avançam. Unindo forças a rebeldes que lutam por direitos étnicos, o grupo levou apenas três dias para conquistar uma área do tamanho da França no norte de Mali, no final de março.

A região, próxima à famosa cidade de Timbuktu, tornou-se um território violento e sem lei, onde terroristas têm liberdade para treinar recrutas, traficar armas e planejar ataques terroristas. As regras são ditadas pela Al Qaeda diretamente da região islâmica do Maghreb, que tem afiliados do Mediterrâneo ao Golfo da Guiné, incluindo Ansar al-Sharia, grupo líbio acusado de estar por trás do ataque ao consulado dos EUA em Benghazi.

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Os novos grupos pretendem se estabelecer na região a longo prazo. Em Mopti, cidade situada no norte do Mali, reina uma cruel versão da Sharia, sistema de rígidas leis que rege a vida muçulmana. Ladrões têm as mãos e os pés cortados. Hassan Ag Diallo, refugiado do norte, diz que islamitas cortaram um pedaço de sua orelha por fumar. “Se beber, eles cortam a sua cabeça”, diz  Diallo.

Temendo uma invasão do norte, militares de Bamako, capital do Mali localizada na parte sul do país, derrubaram o governo através de um golpe militar em 22 de março.

Mas, a confusão política do país não é o único obstáculo para a remoção da Al Qaeda do norte do Mali. Os malianos não conseguem entrar em consenso sobre a que tipo de ajuda recorrer. Alguns pedem o apoio de tropas sob a égide da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS, na sigla em inglês), mas a Nigéria, principal força da ECOWAS, tem seus próprios problemas para resolver. Além disso, nenhum dos membros da ECOWAS tem a logística e a inteligência necessárias para retomar um grande território.

Sem conseguir enfrentar a Al Qaeda, o Mali parece ter se voltado para a negociação com os radicais. Autoridades de Bamako disseram que pretendem manter o Mali um país secular, mas já demonstraram vontade de cooperar com os islamitas. O governo recentemente criou um Ministério de Assuntos Religiosos. Por enquanto a Al Qaeda parece firme em seu refúgio no Saara.

Fontes:
The Economist-Where al-Qaeda rules the roost

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