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EPIDEMIA

ONU admite culpa pelo surto de cólera no Haiti

Pela primeira vez, ONU reconheceu que bactéria causadora da doença foi introduzida no país por soldados da entidade infectados

ONU admite culpa pelo surto de cólera no Haiti
Haitianos protestam pelo reconhecimento da ONU no alastramento do surto (Foto: Twitter)

A Organização das Nações Unidas (ONU) admitiu pela primeira vez a responsabilidade pela introdução da epidemia de cólera que afeta o Haiti desde 2010 e já deixou 770 mil infectados e 9.200 mortos.

Pesquisas concluíram que o vibrião colérico, bactéria causadora da doença, foi introduzido no principal rio do Haiti em outubro de 2010, a partir do esgoto de uma base das tropas de paz da ONU. O vibrião teria vindo de soldados do Nepal infectados. O surto foi alimentado pela falta de saneamento básico no país, onde apenas 24% da população têm acesso a vaso sanitário e onde o tratamento de água e esgoto é inacessível para a maioria das pessoas.

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O porta-voz adjunto da Secretaria Geral da ONU, Farhan Haq, disse que o órgão responsabilizou a empresa que fazia o tratamento dos rejeitos da base pela falha e que a organização vai anunciar “medidas significativas” para conter a epidemia nos próximos dois meses. “Estamos tentando ver o que exatamente podemos fazer sobre nossa responsabilidade, como isso vem acontecendo e como dar fim a essa epidemia”, disse Haq.

Mea culpa

A ONU decidiu emitir o comunicado após o jornal americano New York Times divulgar uma carta assinada por cinco especialistas com críticas à entidade pela recusa em assumir a responsabilidade.

A suspeita de que o surto tenha se espalhado através de uma base foi levantada em 2010, por um estudo feito por cientistas franceses. Desde então, outros estudos confirmaram a hipótese, mas a ONU nunca havia admitido seu envolvimento.

Para o advogado e ativista haitiano Mario Joseph, o comunicado da ONU foi uma vitória. “É a hora da ONU fazer as coisas direito e provar para o mundo que os direitos humanos também servem para haitianos”.

Joseph lidera uma ação coletiva na Justiça americana assinada por 5 mil haitianos infectados pelo cólera. A Justiça Federal americana em Nova York terá de decidir se a ONU deve ou não continuar como ré após ter reconhecido seu envolvimento no alastramento da epidemia.

Fontes:
Folha-ONU reconhece participação no início da epidemia de cólera no Haiti

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