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DESAFIANDO TRUMP

ONU condena decisão dos EUA sobre Jerusalém

Em assembleia convocada em caráter de emergência, 128 países, incluindo o Brasil, votaram a favor de uma resolução que condena a ação americana

ONU condena decisão dos EUA sobre Jerusalém
Trump ameaçou cortar a ajuda financeira dos países que votaram a favor da resolução (Foto: UN Photo/Manuel Elias)

Mais de 120 países votaram a favor de uma resolução na Organização das Nações Unidas que condena o reconhecimento por parte dos EUA de Jerusalém como capital de Israel.

A votação ocorreu na última quinta-feira, 21, em uma Assembleia Geral convocada em caráter de emergência a pedido de países árabes e muçulmanos. Um total de 128 países votaram a favor da resolução, nove votaram contra, 35 se abstiveram e 21 não se apresentaram para a votação.

“O voto é uma vitória para a Palestina. Continuaremos com nossos esforços na ONU e em todos os fóruns internacionais para dar fim a esta ocupação e estabelecer nosso Estado Palestino com Jerusalém Oriental como capital”, disse Nabil Abu Rdainah, porta-voz do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Na última quarta-feira, 20, o presidente americano, Donald Trump, chegou a ameaçar cortar a ajuda financeira dos países que votassem a favor da resolução. Apesar das ameaças, alguns de seus aliados como Egito, Jordânia e Iraque, que recebem grande ajuda militar e econômica dos EUA, não deixaram de votar a favor da resolução. “Eles tomam centenas de milhões de dólares e até bilhões de dólares, e depois eles votam contra nós. Bem, nós estamos observando esses votos. Deixe-os votar contra nós. Nós vamos economizar muito. Nós não nos importamos”, disse Trump após a votação.

Os países que votaram contra foram: EUA, Israel, Guatemala, Honduras, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau e Togo. Entre os países que se abstiveram estão Argentina, Austrália, Canadá, Croácia e Colômbia. A Ucrânia está na lista dos países que não se apresentaram para votar. Já o Brasil está entre os mais de 100 países que votaram a favor da resolução.

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, disse que a votação não vai impedir que os EUA transfiram sua embaixada para Jerusalém. O voto “será lembrado como o dia em que seu país foi atacado pelo ato de exercer o direito enquanto nação soberana. Os EUA terão sua embaixada em Jerusalém”, disse a embaixadora.

Segundo a Reuters, Haley convidou os 64 países que votaram contra a resolução, se abstiveram ou não compareceram à votação a participar de uma recepção no dia 3 de janeiro “para agradecer a amizade com os Estados Unidos”.

Em um vídeo publicado em sua página no Facebook, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou como “absurda” a resolução. “Jerusalém é a capital de Israel, reconheça ou não a ONU, e o Estado de Israel rejeita categoricamente a votação, mesmo antes da aprovação [da resolução]. Foram necessários 70 anos para que os Estados Unidos reconhecessem oficialmente e levará muitos anos até que a ONU também o reconheça. Mas a atitude a respeito de Israel de muitos países está mudando fora dos muros da ONU e, eventualmente, também vai chegar à ONU, a casa das mentiras”, disse Netanyahu.

A questão de Jerusalém

Em 6 de dezembro, os Estados Unidos anunciaram o reconhecimento oficial de Jerusalém como capital de Israel e a transferência de sua embaixada, atualmente em Tel Aviv, para a cidade. A declaração causou furor no mundo árabe. Isso porque a soberania de Jerusalém, cidade que abriga locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos, é uma das questões mais polêmicas e ponto crucial nas negociações de paz entre Israel e Palestina.

Israel considera Jerusalém sua capital eterna e indivisível. No entanto, os palestinos reivindicam parte da cidade (Jerusalém Oriental) como capital de seu futuro estado.

Fontes:
O Globo-Mais de 120 países desafiam Trump na ONU e apoiam resolução sobre Jerusalém
G1-ONU condena por ampla maioria a decisão dos EUA sobre Jerusalém
Reuters-Defying Trump, over 120 countries at U.N. condemn Jerusalem decision
Agência Brasil-Mais de 120 países desafiam os EUA e aprovam resolução da ONU sobre Jerusalém

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4 Opiniões

  1. olbe disse:

    É difícil o diálago, sempre todos ficam com medo pq a reação é matar ..Difícil haver um diálago, eles estào atirando foguetes e assassinando inocente por causa desta resolução..
    Todos os àrabes que vivem em Israel tem seus direitos assegurados,e podem até votar no parlamento.
    Todas as ruas em Israel tem as placas com seus nome em hebraico e Arabe..Será que nos países árabes isto também acontece?
    Vc sabia que muitos túneis tem sido descobertos com a intenção de um atentado terrorista do mundo árabe para as terras dos judeus?
    Vc sabia que quando um palestino ou qualquer outro vizinho ‘ïnimigo” precisa de ajuda médica eles são atendidos nos hospitais israelenses?

  2. olbe disse:

    Todos sabemos que enquanto Jerusalém for dos judeus, todas as religiões, como acontece hoje, terão liberdade para exercer seu próprio culto…se ela passar para as mãos dos Palestinos..a gente já viu muita destruição de patrimônios da Humanidade serem destruídos.
    Quando se visita o MURO DAS LAMENTAÇÕES em Jerusalem o acesso é permitido a qualquer pessoa..Quando no mesmo lugar, ao lado você quiser visitar aquela MESQUITA com cúpula dourada, mesmo que vc esteja adequadamente vestido, num calor de 40 graus, todos, homens e mulheres são obrigados a COMPRAR o chale xadrês para cobrir o antebraço..e quando vc chega na porta da Mesquita, não pode entrar porque vc não está vestida com a burca…

  3. olbe disse:

    Com certeza Israel deve devolver as terras que ganhou na guerra , da qual não começou,em 1967. isto vai acontecer quando o TEXAS for devolvido para o México…

    ISRAEL é o único país no mundo que deve devolver terras conquistadas numa guerra?????

  4. olbe disse:

    “Certamente, Israel não está acima da crítica, mas considerando o genocídio do povo Rohingya em Mianmar, a falta de direitos humanos básicos na Coréia do Norte, as crianças que morrem de fome nas ruas da Venezuela, os cidadãos da Síria visados ??pelo assassinato por seu próprio líder usando as armas mais grotescas e dolorosas, você deve perguntar se Israel realmente merece 86% da condenação do mundo?
    Ou possivelmente há algo mais a caminho das Nações Unidas, algo que permita que o representante do governo Assad dê uma aula aos Estados Unidos por mudar sua embaixada? “

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