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CRISE HUMANITÁRIA

ONU pede fim de politização de ajuda humanitária na Venezuela

Para ONU, a politização da ajuda humanitária é o maior empecilho para que o país consiga sair da crise humanitária na qual se encontra

ONU pede fim de politização de ajuda humanitária na Venezuela
Ao todo, 3,4 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela devido à crise (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), obtido pelo New York Times, instou os líderes da Venezuela, Nicolás Maduro e Juan Guaidó, a pararem de politizar a ajuda humanitária. Segundo a ONU, a politização da ajuda humanitária é o maior empecilho para que o país consiga sair da crise humanitária na qual se encontra.

De acordo com o documento, que conta com 45 páginas e não atribui culpa específica, medidas tomadas por Maduro, como o bloqueio das fronteiras para impedir a entrada de ajuda humanitária, agravaram a crise.

Por outro lado, sanções impostas pelos Estados Unidos e por outros países, em apoio ao autoproclamado presidente Guaidó e contra o governo Maduro, também prejudicaram a Venezuela. Guaidó, que é presidente da Assembleia Nacional, também teria usado a tentativa de ajuda humanitária para tentar se sobrepor ao governo Maduro.

“A politização da assistência humanitária no contexto da crise dificulta a prestação de assistência de acordo com os princípios de neutralidade, imparcialidade e independência”, destaca o relatório. Segundo dados da ONU, 94% dos venezuelanos vivem, atualmente, na pobreza, enquanto 7 milhões precisam de ajuda humanitária. Ao todo, o país conta com uma população de 32 milhões de pessoas.

A Venezuela atravessa uma longa crise política, econômica e humanitária, que se agravou com a reeleição de Maduro – a oposição afirma que o processo não foi democrático. As dificuldades enfrentadas pelo país já levaram ao êxodo 3,4 milhões de pessoas, que migraram para países vizinhos, como Brasil e Colômbia. De acordo com o relatório, mais 1,9 milhão de pessoas devem deixar a Venezuela esse ano.

Devido a isso, os crimes e doenças seguem crescendo na Venezuela. Doenças vistas como evitáveis, como tuberculose, difteria e sarampo, voltaram a fazer vítimas no país. Paralelo a isso, 22 mil profissionais de saúde emigraram, o equivalente a um terço da força total de trabalho da área. Já em relação à doenças crônicas, como a diabetes, aproximadamente 4 milhões de pessoas estão mais vulneráveis, sem acesso a medicamentos e tratamentos.

O país também vê crescer o abismo na educação. Cerca de 1 milhão de crianças em idade escolar não tem recebido educação, enquanto outros 48% de crianças e adolescentes, que estão matriculados, podem deixar a escola.

“A violência aumentou dentro das famílias, escolas, instituições e comunidades, particularmente em algumas áreas fronteiriças e urbanas, onde grupos armados e organizações criminosas comuns estão presentes”, revelou o relatório.

Por fim, o documento aponta a ONU como um possível árbitro neutro para ajudar a solucionar a crise na Venezuela, que parece longe do fim. Isso porque, Estados-membros da entidade não parecem estar tão dispostos a ajudarem financeiramente. Em novembro do ano passado, a ONU solicitou US$ 109 milhões para assistência humanitária na Venezuela, mas recebeu apenas US$ 50 milhões.

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Fontes:
The New York Times-U.N. Appeals to Maduro and Guaidó to End Battle Over Humanitarian Aid

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