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Justiça

Os desafios do sistema carcerário nos Estados Unidos

A população carcerária nos EUA estabilizou-se, mas a tendência deveria ser de uma queda acentuada

Os desafios do sistema carcerário nos Estados Unidos
Um americano adulto em cada 35 está na prisão ou em liberdade condicional (Reprodução/Wikipedia)

Com menos de 5% da população mundial, os Estados Unidos detêm cerca de um quarto de prisioneiros, mais de 2,3 milhões de pessoas, entre elas 1,6 milhão em prisões estaduais e federais, e mais de 700 mil em prisões locais e centros de detenção de imigrantes. Per capita, o índice de prisões na terra da liberdade aumentou sete vezes desde a década de 1970 e, agora, é cinco vezes superior ao do Reino Unido, nove vezes maior do que na Alemanha e 14 vezes superior ao do Japão.

A qualquer momento, um americano adulto em cada 35 está na prisão ou em liberdade condicional. Um terço dos negros americanos pode ser preso por qualquer motivo e uma em cada nove crianças negras tem um pai na prisão.

Os defensores de uma justiça mais rígida alegam que a taxa de criminalidade nos EUA diminuiu com programas de prevenção, um maior número de prisões e sentenças mais severas. Os cidadãos cumpridores da lei estão protegidos dos ataques de criminosos detidos e diante da possibilidade de serem presos, alguns hesitam antes de cometer qualquer crime. Todos esses argumentos são verdadeiros, mas só até certo ponto.

Na década de 1980 é possível que o número maior de prisões tenha diminuído a taxa de criminalidade, ao tirar delinquentes da rua. Mas a detenção maciça tem sido contraproducente. Um estudo recente do instituto de pesquisa Brennan Centre for Justice concluiu que a queda de no máximo 12% do número de assaltos a propriedades nos EUA desde os anos 1990, pode ser atribuída às taxas mais elevadas de prisões, ou que talvez não haja uma relação entre o número maior de detenções e essa redução. Os estados com grandes populações carcerárias não têm menos crimes, do que outros estados com populações menores.

Os crimes em geral são praticados por pessoas jovens, mas agora o número de presos com idades superiores a 50 anos mais do que triplicou desde 1994. Muitas dessas pessoas não são mais perigosas. Além de não representarem um perigo à sociedade, a manutenção de presos idosos com os tratamentos de saúde pagos com o dinheiro do contribuinte custa em média US$68 mil por prisioneiro todos os anos. Em relação ao aspecto social, quanto mais tempo um preso permanece na prisão mais difícil é sua reintegração na sociedade.

A população carcerária nos EUA estabilizou-se, mas a tendência deveria ser de uma queda acentuada. O fim da guerra às drogas, que causariam menos danos se pagassem impostos, fossem regulamentadas e vendidas em lojas, em vez de em becos escuros, como a maconha no Colorado e no estado de Washington, seria um bom ponto de partida para reduzir a taxa de criminalidade no país. Na verdade, a guerra às drogas já está diminuindo; em 1997 do total de presos 27% eram acusados de tráfico de drogas, mas agora o percentual é de cerca de 20%. Esse número de infratores poderia se reduzir a zero se as drogas fossem legalizadas.

Fontes:
The Economist-Jailhouse nation

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