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PREVISÕES SOMBRIAS

Os efeitos da saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã

Decisão de Donald Trump de retirar os EUA do pacto fortalece a oposição linha-dura do Irã e pode fazer do país mais nuclearizado do que nunca

Os efeitos da saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã
As consequências da ação de Trump são sombrias e pessimistas (Foto: White House/Flickr)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concretizou na última terça-feira, 8, sua ameaça de retirar os EUA do acordo nuclear com o Irã.

A ação do presidente americano gerou críticas de outros líderes globais, em especial da Europa. Horas após o anúncio de Trump, o presidente francês, Emmanuel Macron, postou em sua conta oficial no Twitter que “França, Alemanha e Reino Unido lamentam a decisão dos EUA de deixar o JCPOA” (sigla em inglês que significa Plano Integral de Ação Conjunta). “O regime de não proliferação nuclear está em jogo”, alertou Macron na postagem.

A decisão de Trump também gerou reação do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que criticou a decisão tomada unilateralmente pelos EUA e classificou o discurso de Trump para anunciar a medida como “absurdo e superficial” e disse que envolvia “mais de 10 mentiras”. “Ele [Trump] ameaçou tanto o sistema quanto a nação [iraniana]”, disse Khamenei.

Segundo o jornal Guardian, Khamenei disse não ser viável para o Irã continuar no pacto sem a garantia de que França, Alemanha e Reino Unido vão resistir à pressão americana. A União Europeia pretende manter o acordo, mas a saída dos EUA pode significar o colapso do pacto, uma vez que o retorno das sanções americanas ao Irã vão prejudicar os negócios de países europeus com Teerã.

Oposição iraniana ganha força

Em contraponto ao lamento europeu e de Khamenei, a ação de Trump fortaleceu a oposição linha-dura do Irã, que celebrou o anúncio como uma prova de que o governo moderado de Hassan Rouhani falhou ao “confiar no império”, como apontou o chefe do Parlamento iraniano, o conservador Ali Larijani.

A saída dos EUA foi tema de todos os jornais iranianos, e ganhou uma cobertura sensacionalista por parte de veículos de linha editorial ultraconservadora. “Trump rasgou o acordo, agora é hora nós colocarmos fogo nele”, dizia a capa do jornal Kayhan.

Para Sadegh Zibakalam, cientista político da Universidade de Teerã ouvido pelo Guardian, as consequências da ação de Trump são sombrias e pessimistas, uma vez que fortalece parlamentares linha-dura. “Muitos estão temendo a guerra. Sempre que o país enfrenta uma crise em sua política internacional, a situação melhora para os [parlamentares] linha-dura. […] Vão ganhar politicamente nesta situação porque vão atacar reformistas e moderados como Rouhani e afirmar que isso evidencia o que eles vinham alertando há anos, que os EUA não merecem confiança, que sempre vão te esfaquear pelas costas”, explica Zibakalam.

Outra que celebrou a saída dos EUA foi a Arábia Saudita, rival regional de longa data do Irã. “O reino apoia e celebra os passos tomados pelo presidente americano em direção à saída do acordo nuclear e o restabelecimento de sanções econômicas contra o Irã”, comunicou o Ministério do Exterior saudita.

Consequências ruins para todos os envolvidos

Desde a campanha presidencial, em 2016, Trump vinha execrando o acordo assinado em 2015, por seu antecessor, Barack Obama, como “o pior da história” e expressando sua intenção de retirar os EUA do pacto.

No entanto, a saída terá consequências graves para todos os envolvidos, o que inclui os EUA, como apontou Laura Holgate, ex-embaixadora dos Estados Unidos junto à Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês).

Segundo Holgate, o fim do acordo e o fortalecimento da oposição linha-dura no Irã pode fazer do país mais nuclearizado do que nunca, além de deixar em frangalhos a aliança americana com a Europa, que é crucial para Washington. “Simplesmente não consigo conceber como um mundo sem o acordo seria mais interessante para os EUA”, disse Holgate, em entrevista à rede de notícias alemã Deutsche Welle.

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1 Opinião

  1. Rogerio Faria disse:

    Nenhuma novidade. É a velha política do “big stick” de volta.

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