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Divergência entre potências

Os EUA e o Reino Unido assumem posições divergentes em relação à China

Adesão do Reino Unido ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) foi uma surpresa

Os EUA e o Reino Unido assumem posições divergentes em relação à China
Os EUA tiveram uma reação negativa à criação do AIIB (Reprodução/Eyevine)

É extremamente raro que o Reino Unido adote uma política externa em conflito com seu aliado mais próximo e mais importante, os Estados Unidos. E, talvez em uma atitude sem precedentes, apoiando, em uma questão controversa de governança financeira mundial, a China, a superpotência rival. No entanto, foi assim que os EUA interpretaram os planos do Reino Unido, anunciados em 12 de março, de aderir ao novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), sob o comando da China, com uma participação acionária como sócio fundador.

O AIIB é uma das inúmeras novas instituições criadas pela China, aparentemente devido à frustração perante o fracasso das instituições financeiras internacionais de se adaptarem com rapidez à sua ascensão meteórica. As iniciativas para reformar o Fundo Monetário Internacional (FMI) encontraram obstáculos no Congresso dos Estados Unidos. Ainda como um fator de entrave ao desenvolvimento econômico da China, os EUA detêm o controle tradicional da administração do Banco Mundial.

A China tem as maiores reservas de moeda estrangeira do mundo e está ansiosa para transformá-las em “soft power”, ou poder brando, uma forma de exercício do poder com a busca de consenso. Por esse motivo, a China quer criar um sistema financeiro alternativo com a fundação, além do AIIB, do Novo Banco de Desenvolvimento com os parceiros do Brics, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, assim como da criação do fundo de desenvolvimento da Rota da Seda para estimular os “vínculos” com os países vizinhos.

Porém os EUA tiveram uma reação negativa à criação do AIIB. As autoridades norte-americanas dizem que não se opuseram à ideia. Mas as autoridades do governo de Cingapura, um aliado dos EUA e da China, alegam que as discussões com os Estados Unidos foram difíceis, ao anunciarem o apoio à iniciativa da China.

A adesão do Reino Unido ao AIIB foi uma surpresa. Até a manifestação do interesse dos ingleses em participarem do projeto, os 22 membros da organização limitavam-se à região do Pacífico Asiático. E, em circunstâncias normais, a resistência dos EUA seria um argumento forte contra a adesão do governo britânico. Mas a obstinação do Reino Unido em agradar a China nos meses seguintes à visita do primeiro-ministro David Cameron ao país, em dezembro de 2013, obteve os resultados previstos.

Fontes:
Economist-American poodle to Chinese lapdog?

2 Opiniões

  1. Vitafer disse:

    É verdade, Regina (xará da minha esposa).

  2. Regina Caldas disse:

    Visão de futuro. E os ingleses sabem que o futuro do crescimento global reside na China.

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