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A batalha dos cientistas

Os europeus estão mais hostis em relação à ciência e à tecnologia?

O continente de Galileu e Darwin não pretende renunciar à sua herança gloriosa. No entanto, os cientistas tiveram dois motivos recentes de preocupação

Os europeus estão mais hostis em relação à ciência e à tecnologia?
O segundo motivo de preocupação é o papel da ciência na formulação da política na Europa (Reprodução/Peter Schrank)

No final de um ano difícil os líderes europeus estão enfrentando um problema familiar, mas bastante complexo. Como recuperar as economias em crise e o que fazer diante da ameaça da Rússia? Mas uma fonte mais discreta de descontentamento está também em ebulição: os cientistas europeus. O continente de Galileu e Darwin não pretende renunciar à sua herança gloriosa. No entanto, os cientistas tiveram dois motivos recentes de preocupação. Um deles é o novo plano de investimento da Comissão Europeia para retomar o crescimento, que em parte usará a soma de U$3.4 bilhões da verba prevista para o Horizon 2020, o fundo de ciência da União Europeia (UE). A Royal Society, a tradicional organização científica britânica, e outras entidades e pessoas reclamaram do desvio da verba.

O segundo motivo de preocupação é o papel da ciência na formulação da política na Europa. Há três anos Anne Glover, uma bióloga escocesa, especialista em biologia molecular e celular, foi nomeada para o novo cargo de consultora chefe da área científica da UE. É possível que seu cargo seja o primeiro e o último. Seu mandato expirou, assim como o trabalho anterior, e Jean-Claude Juncker, o novo presidente, aparentemente não tem intenção de renová-lo.

Por ter assumido o cargo há pouco tempo, a Sra. Glover ainda não absorveu os hábitos diplomáticos das pessoas familiarizadas com a política de Bruxelas, e fala sem reservas a respeito dos organismos geneticamente modificados (OGM), além de dizer que os opositores ao OGM sofrem de “uma forma de loucura”. É um discurso inadmissível para as ONGs ambientalistas, que pediram sua demissão em uma carta endereçada a Jean-Claude Juncker. Alguns veem esse pedido como as sementes da queda em desgraça de Anne Glover.

Mas, na verdade, desde que assumiu a presidência há seis semanas, Juncker não têm dado muitas razões de alegria aos ambientalistas. Nesta semana os ambientalistas ficaram furiosos com sua decisão de pôr de lado dois projetos importantes na área de meio ambiente. Porém os problemas profissionais de Anne Glover referem-se mais à dificuldade de atrair a atenção dos burocratas da EU e as implicações de sua partida preocupam até mesmo observadores ponderados.

Fontes:
The Economist-The battle of the scientists

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