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ARMAS DE FOGO

Os frequentes ataques com mortes em massa nos EUA

As opiniões se dividem entre permitir que mais pessoas tenham armas para se defender ou restringir seu acesso

Os frequentes ataques com mortes em massa nos EUA
Homenagem às vítimas na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida (Fonte: Reprodução/AFP)

Em 14 de fevereiro, pouco antes do encerramento das aulas na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas em Parkland, Flórida, o alarme de incêndio tocou. A maioria dos alunos e professores achou que era um aviso de treino. Mas, na verdade, um homem armado havia puxado o alarme para atrair o maior número de alvos. O atirador matou 17 pessoas e feriu 14, algumas com gravidade. As emissoras de televisão locais informaram que o tiroteio foi o pior caso de assassinatos em massa na história do condado de Broward, uma área rica ao norte de Miami.

O crime em massa na Flórida, cujo agressor foi mais tarde preso, foi o tiroteio com mais vítimas nos EUA em cinco anos, desde a morte de 20 crianças, seis adultos e o suicídio do criminoso em Sandy Hook Elementary School, em Connecticut. Segundo o Gun Violence Archive, o tiroteio na Flórida foi o 1.607º assassinato em massa nos EUA desde Sandy Hook. Ou seja, o país teve mais de um ataque com mortes em massa todos os dias desde então, com um custo de 1.846 vidas.

A polícia identificou o atirador como Nikolas Cruz, um ex-aluno da escola de 19 anos expulso há um ano por problemas disciplinares. Ele foi descrito como um rapaz estranho obcecado por armas. Ao contrário de muitos atiradores que cometem assassinatos em massa e se suicidam, Cruz fugiu da escola misturando-se aos alunos, que saíam às pressas do local. A polícia o prendeu em uma cidade próxima logo após o tiroteio. Scott Israel, o xerife do condado, disse que os oficiais da polícia estavam investigando o perfil do atirador nas redes sociais e o que haviam encontrado até então, disse, era “extremamente perturbador”.

O superintendente das escolas públicas do condado de Broward, Robert Runcie, atribuiu a culpa do crime aos problemas crescentes de saúde mental dos americanos. Porém, ignorou o fato de que o impacto da violência armada em outros países desenvolvidos, com indicadores de saúde mental semelhantes, é insignificante em comparação com os EUA. A taxa de assassinatos com armas nos EUA é 25 vezes superior à de um grupo de 22 países desenvolvidos, de acordo com o American Journal of Medicine. Os Estados Unidos têm menos de 5% da população mundial e quase metade das armas de fogo do mundo nas mãos de civis.

No estado da Flórida, onde mais de 1,4 milhão de pessoas têm licença de porte de armas, não há limite do número de armas que alguém queira comprar. A verificação de antecedentes para a compra de um fuzil AR-15, a arma usada por Cruz, é tão superficial que as autoridades não se preocupam com detalhes como o histórico de saúde mental ou de violência do comprador, ou se seu nome consta da lista de terroristas vigiados pelo FBI. Leis de porte de armas pouco rígidas permitiram que atiradores matassem 14 pessoas em uma festa de Natal na Califórnia em 2015, 49 pessoas em uma boate na Flórida em 2016 e 58 pessoas em um festival de música em Las Vegas, em 2017.

Em resposta a esta última tragédia, o presidente Donald Trump expressou suas condolências em uma mensagem no Twitter e acrescentou que “a segurança nas escolas é uma prioridade do governo e que ninguém deve se sentir inseguro em uma instituição de ensino americana”. No entanto, não mencionou que o controle de armas mais rígido defendido pelos democratas poderia ter evitado esse crime e muitos outros.

Fontes:
The Economist - America seems unable to solve a scourge that exists nowhere else

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4 Opiniões

  1. laercio disse:

    se somarmos todas as matanças norte americanas não alcançaremos um quarto das matanças que ocorrem no Brasil. todo cidadão tem direito a defesa, e, quando o estado não consegue promover tal estado então que haja a liberação imediata do registro e porte; o ideal seria uma constituição que acusasse prisão perpétua sob regime de trabalhos forçados para que houvesse o desestímulo à prática criminal mas também que tal estado de punição alcançassem todas as pessoas que cometessem tais práticas.

  2. Aloisio disse:

    Obrigado pela opinião Renê ajudou muito

  3. Aloisio disse:

    Descanse em pós todos que morrerao

  4. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Não concordo que o desarmamento é a solução, pelo contrário o cidadão deve ter a liberdade de andar armado sim, o que deve existir é uma sociedade que crie menos psicopatas e tenho certeza que a mídia atual é uma variável que fornece uma influência muito grande na geração desses desequilibrados, claro que por traz de tudo tem interesses econômicos, viva a hipocrisia humana.

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