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Os frutos democráticos da Primavera Árabe

Eleições no Egito são o primeiro grande sinal de mudança no mundo árabe, ainda marcado pelos protestos do ano passado

Os frutos democráticos da Primavera Árabe
Países da Primavera Árabe dão seus primeiros passos rumo à democracia (Reprodução/Internet)

Nesta quarta-feira, 23, a população do Egito irá às urnas pela primeira vez desde que os protestos da Primavera Árabe derrubaram o governo de Hosni Mubarak, para eleger seu novo presidente. 23 candidatos estão na disputa, e a maioria das pesquisas aponta para um segundo turno entre o ex-secretário da Liga Árabe, Amr Moussa, e Abdel Moneim Aboul Fotouh, secretário-geral da União Médica Árabe, e importante figura dentro da Irmandade Muçulmana.

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A queda de Mubarak não deu fim aos tumultos e ao caos que se espalharam pelas ruas egípcias. Comandado por forças militares, o país foi palco de violentos confrontos que deixaram dezenas de mortos. Sem investimento estrangeiro e com o turismo – uma de suas principais forças econômicas – em franco declínio, o desemprego e o crime aumentaram no Egito. Os islamitas saíram na frente na primeira eleição parlamentar da era pós-Mubarak, e têm grandes chances de conquistar a presidência. A possibilidade gera temores de que a Irmandade Muçulmana tente impor um regime islâmico no país. Do outro lado, muitos temem que os militares tentem manter seu controle sobre o futuro do país.

Na Tunísia, primeiro país a derrubar seu governo na onda de protestos que varreu o mundo árabe no início de 2011, a transição foi mais suave. Após a derrubada de Zine El Abidine Bem Ali, eleições levaram uma coalizão liderada pelo partido islamita Ennahda, que assumiu uma posição moderada numa nação com uma longa história de secularismo, evitando uma nova constituição baseada na lei islâmica. Ainda assim, tunisianos seculares temem que salafistas ultraconservadores ganhem confiança nos próximos anos.

Desde a morte de Muammar Khadafi, a Líbia está mergulhada em instabilidade. As milícias rebeldes se recusaram a abrir mão de seus arsenal criando pequenos feudos e se vingando de supostos colaboradores do regime. O Conselho Nacional de Transição se mostrou completamente ineficaz, enquanto o leste do país deu passos rumo à declaração de autonomia. O país terá eleições nacionais em junho, o que pode acelerar a elaboração de uma nova constituição. Na Síria, os confrontos cresceram e se transformaram numa guerra civil que já deixou mais de 9 mil mortos. Em meio a acusações de assassinatos e tortura, o governo – mesmo pressionado pela opinião internacional – continua a abrir fogo contra os manifestantes, e o sectarismo começa a tomar conta do conflito colocando em lados opostos a maioria sunita e a minoria alauíta, da qual faz parte o presidente Bashar Assad.

Na Península Arábica, a maioria xiita do Bahrain, país que abriga a marinha norte-americana na região, teve seus protestos contra a monarquia sunita contidos pelas forças da Arábia Saudita, que também teve que lidar com manifestações de seus próprios xiitas (e que atribuiu as revoltas contra os sunitas como “influência iraniana”). No Iêmen, Ali Abdullah Saleh finalmente deixou a presidência, e há expectativas de que uma nova constituição seja elaborada agora que a oposição e o partido de Saleh estão dividindo espaço no governo. O país deve realizar eleições em 2014.

Se por um lado os países da Primavera Árabe ainda são assolados por conflitos, por outro, com as novas eleições e constituições começam a surgir os primeiros sinais de que todas as manifestações de 2011 não foram em vão. Pouco a pouco, os países da Primavera Árabe vão realizando a hercúlea tarefa de substituir anos de ditaduras pela democracia. Eleitores nas urnas do Egito estão dando o primeiro grande passo nessa direção.

Fontes:
The Telegraph - Egypt presidential elections: nation-by-nation look at Arab Spring

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