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Referendo enigmático

Os gregos vão votar em quê?

Referendo pergunta aos eleitores se eles aprovam os termos de uma proposta dos credores que foi invalidada pelo vencimento do prazo de terça-feira

Os gregos vão votar em quê?
Protestos contra medidas de austeridade na Grécia em fevereiro de 2010. Hoje, bancos estão fechados e saques limitados a 60 euros por dia (Foto: Flickr)

O destino da Grécia vai depender de um “sim” ou um “não” em um referendo enigmático que será realizado no país no próximo domingo, 5. A pergunta, formulada com linguagem burocrática, pede que os gregos decidam sobre uma proposta que já não existe mais. Mesmo assim, líderes de países vizinhos estão pedindo aos gregos que votem sim, enquanto o governo grego está implorando para que votem não.

Esta é a situação dos gregos nos dias de hoje. O país está se aproximando de um dos votos mais importantes da sua história moderna, que, segundo analistas, poderia redefinir seu lugar na Europa – ainda que muitas pessoas não saibam, exatamente, em que estarão votando.

Leia também: Eurogrupo retomará negociações com a Grécia apenas após referendo

A Grécia está em território desconhecido. O próprio primeiro-ministro Alexis Tsipras, que convocou o referendo, vem se comportando de forma contraditória. Primeiro adotou uma postura linha-dura com os credores e os confrontou amargamente, recusando novas medidas de austeridade contidas no novo acordo. Em seguida, na quarta-feira, 1, depois do vencimento do prazo dado pelos credores para que tomasse uma decisão, sinalizou que estaria disposto a aceitar muitas das exigências feitas pelos credores. Mesmo assim ele não desistiu do referendo e pediu novamente aos gregos que rejeitem a proposta com as demandas dos credores.

Tsipras havia pedido aos credores europeus para estender a proposta de resgate por mais uma semana para que a votação de domingo fosse realizada sob condições “normais”. Enfurecidos, os negociadores europeus inicialmente declararam que as negociações haviam se encerrado. Mais significativamente, o Banco Central Europeu paralisou os empréstimos de emergência que vinha fornecendo ao sistema bancário grego para compensar os milhares de milhões de euros sacados por titulares de contas em um momento de pânico.

Temendo um colapso bancário, Tsipras fez um pronunciamento na televisão nacional no domingo à noite, anunciando controles de capital e o fechamento do sistema bancário. Os gregos poderiam retirar apenas 60 euros por dia de caixas eletrônicos. As pessoas começaram a acumular gasolina e mantimentos. As empresas dependentes da utilização de linhas de crédito bancário para importar materiais de repente estavam em apuros.

Enquanto isso, os gregos comuns permanecem perplexos. “Ninguém está nos dizendo o que isso [o referendo] significa”, disse Erika Papamichalopoulou, 27, uma residente de Atenas, ao New York Times. “Ninguém está dizendo o que vai acontecer se dissermos que sim, ou se dissermos que não”.

O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, disse que “prefere cortar o braço” a assinar um novo acordo com os credores que não reestruture a dívida da Grécia. Varoufakis afirma que pretende renunciar como ministro das Finanças se a Grécia aprovar a proposta dos credores.

Analistas concordam que se a maioria dos gregos votar “sim”, seria o fim para Tsipras. Seu governo provavelmente renunciaria na próxima semana, e o presidente grego — uma figura em grande parte cerimonial, embora não em momentos de colapso de governos – teria de montar um governo de “unidade” com diferentes partidos.

A menos, claro, que Tsipras possa chegar a um acordo e, em seguida, mude de ideia e comece a pedir para as pessoas votarem “sim”, que é um outro cenário que está sendo cogitado. Simples assim.

Fontes:
The New York Times - Alexis Tsipras’s Referendum Leaves Greek Voters Perplexed

2 Opiniões

  1. Áureo Ramos de Souza disse:

    Eu como sou Mané e do nordeste pergunto: O FMI-Fundo Monetário Internacional; possui dinheiro de onde para emprestar e deixar países nestas situações que já vi aqui no Brasil aquela MALA PRETA PASSEANDO LÁ EM BRASILIA.

  2. Joma Bastos disse:

    “NÃO” à austeridade que o FMI vem impondo e quer continuar a impôr na Grécia.
    O FMI ao querer impor austeridade severa aos países em crise, só aprofunda a crise econômica e social destes.

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