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Mundo corporativo

Os gays no mercado de trabalho

O CEO da Apple revelou que é homossexual, mas os gays ainda enfrentam preconceitos no mundo dos negócios

Os gays no mercado de trabalho
Algumas empresas evitam contratar homossexuais por medo de afastar clientes preconceituosos (Reprodução/IStock)

Hoje, nos Estados Unidos, é um fato quase banal a revelação de homossexualidade por parte de políticos, apresentadores de televisão e mesmo padres. Mas o mundo corporativo é diferente: até o CEO da Apple, Tim Cook, revelar em 30 de outubro que é gay, nunca ninguém ouvira falar em um homossexual declarado, que fosse CEO de uma empresa citada em Fortune500.

A travessia desse limiar simbólico demonstra a evolução da visão preconceituosa em relação aos executivos gay e como as salas de diretoria ainda são retrógradas. Os otimistas acham que Cook é a ponta de um iceberg, porque em geral os CEOs têm mais de 50 anos e, portanto, é pouco provável que outros executivos gays, que passaram décadas escondendo suas preferências sexuais, revelem agora a verdade. Porém seus sucessores, que pertencem a uma geração mais liberal, enfrentarão menos dificuldade.

Algumas empresas evitam contratar homossexuais por medo de afastar clientes preconceituosos. John Browne, que administrou a BP até 2007, disse que a empresa Walmart, sediada no estado conservador de Arkansas, recusou o convite para ser membro do conselho por motivos “religiosos”. Agora essas preocupações são infundadas, como demonstrou o impacto insignificante das campanhas recentes para boicotar as lojas Starbucks e Target por apoiarem o casamento gay. O número de grandes empresas americanas que apoiam os direitos dos homossexuais aumentou para 304, em comparação a apenas 13 em 2002.

As empresas procuram executivos homossexuais por diversos motivos. Algumas pensam que irão prosperar se seus funcionários tiverem um perfil mais diversificado, como a base de seus clientes. Um estudo descobriu que os funcionários são mais felizes quando trabalham para chefes gays, do que com heterossexuais. Outra pesquisa revelou que os gays ganham de 10 a 32$% menos do que seus colegas heterossexuais, que fazem um trabalho semelhante. Mas talvez o argumento mais convincente seja que por ainda serem discriminados no mercado de trabalho, os gays são talentos desperdiçados.

Embora as políticas trabalhistas que estendem os benefícios da assistência médica a companheiros gays, estejam evoluindo com rapidez, as culturas corporativas resistem mais às mudanças. No livro The Glass Closet, Browne mencionou que dois quintos dos gays, bissexuais e transexuais americanos ainda são reservados quanto às suas tendências nos ambientes profissionais. A aceitação de homossexuais no mercado de trabalho está crescendo, mas ainda existe um longo caminho a percorrer.

Fontes:
The Economist-Out at the top

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