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RELIGIÃO X LEI

Os líderes religiosos e a questão da morte assistida

O direito à morte assistida causa controvérsia entre os líderes religiosos e a opinião pública

Os líderes religiosos e a questão da morte assistida
Alguns líderes da Igreja Anglicana estão começando a rever suas posições (Foto: Flickr)

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A vida humana tem início e fim e, para a maioria das religiões, esses dois momentos são sagrados. Por esse motivo, os políticos estão acostumados a ouvir a opinião de líderes religiosos em questões como contracepção, aborto e o direito dos médicos de intervir em casos de pacientes com doenças incuráveis ou em fase terminal. Assim, quando os parlamentares de Malta começaram a discutir o tema da morte assistida, em resposta ao pedido de uma pessoa com esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, de ter assistência de um médico para ajudá-la a morrer no momento de sua escolha, não causou surpresa a interferência dos dois principais líderes religiosos na discussão.

Antecipando-se à deliberação da comissão parlamentar de assuntos relacionados à família, que continuará a discussão sobre morte assistida após o recesso de verão, em 23 de julho o arcebispo de Malta, Charles Scicluna, e Mario Grech, bispo de Gozo, as duas ilhas a oeste de Malta, publicaram uma carta aberta aos parlamentares. O conteúdo da carta era explícito: “A assistência médica a pacientes que desejam terminar de maneira abrupta suas vidas é inadmissível.”

As pesquisas revelaram que as pessoas com crenças religiosas são mais propensas a se oporem à morte assistida do que as agnósticas. Mas existe uma grande diversidade entre as crenças. Um levantamento realizado na Grã-Bretanha pelo YouGov em 2013, mostrou que só três em cada dez muçulmanos achavam que a lei deveria ser mudada para permitir que os amigos íntimos e parentes de pessoas com doenças incuráveis tivessem o direito de decidir sobre a morte assistida com a ajuda de um médico. Cerca de metade dos indianos e dos siques entrevistados achou que a lei deveria ser mudada; seis entre dez católicos, metodistas, batistas e budistas compartilharam essa opinião. Mas sete em cada dez judeus e 77% dos anglicanos apoiaram a mudança na legislação. Em comparação, 85% das pessoas sem crença religiosa defenderam a legalização da morte assistida.

Alguns líderes da Igreja Anglicana estão começando a rever suas posições. No sínodo da Igreja Anglicana do Canadá, no qual a morte assistida foi legalizada há pouco tempo, os participantes redigiram um documento com instruções sobre o tema para sua congregação. Embora não apoiem a morte assistida por médicos, os membros da Igreja não se opõem à legalização. “O contexto social e jurídico do exercício do ministério pastoral e profético da Igreja mudou.”

Os líderes religiosos não podem seguir a opinião pública com uma postura submissa, disse Lorde Carey, que ocupou o cargo de arcebispo de Canterbury, a mais alta posição na hierarquia da Igreja Anglicana, de 1991 a 2002. Porém os líderes religiosos devem pelo menos ouvi-la, acrescentou. Nesse caso, a opinião pública defende o direito de pessoas com doenças incuráveis ou em fase terminal de decidirem o seu destino. “Não tenho certeza se a Igreja está ouvindo essa mensagem”, disse. “Quanto mais eu penso no assunto, mais tenho consciência do distanciamento social dos líderes cristãos.”

Fontes:
The Economist-Religious leaders grapple with doctor-assisted dying

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1 Opinião

  1. Beraldo disse:

    Liberdade não tem meio termo.

    Autoridades políticas e religiosas não deveriam interferir em assuntos desta natureza.

    A “morte assistida” é um direito não só do próprio paciente em fase terminal, se estiver em condições de exigi-la, quanto dos seus parentes.

    O suicídio é fundamental ponto de partida, para reflexão.

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