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China na África

Os novos imperialistas?

China investe pesado no continente africano, do qual tornou-se hoje o maior parceiro comercial

Os novos imperialistas?
Chineses extraem riquezas mas também criam oportunidades de emprego na África (Reprodução/NewYorker)

Investidores chineses negociaram com o governo da Zâmbia para extrair recursos naturais do país e, em troca, encher os cofres do governo local. Os acordos recentes aconteceram na Zâmbia, mas negociações semelhantes entre chineses e africanos vêm ocorrendo em outras partes do continente também.

Muitos imigrantes chineses se mudaram para cidades e vilas rurais africanas, onde criaram empresas de construção e instalaram minas de cobre, carvão e pedras preciosas, construíram hotéis, restaurantes e geraram empregos.  Eles ergueram escolas e hospitais. Mas casos de corrupção, abuso de trabalhadores e a ocultação de ações criminosas também começaram a tumultuar a relação entre os chineses e os africanos.

Os chineses conseguiram realizar pelo menos uma coisa impressionante na África, eles criaram uma situação desconfortável para todo mundo. Os norte-americanos estão inquietos, preocupados (e talvez com ciúmes) dos investimentos rápidos e rentáveis ​​da China em todo o continente e com a ajuda desenvolvimentista que a China oferece em algumas áreas. Os europeus têm apenas de olhar para os números do comércio para perceberem que estão perdendo espaço no mercado africano: a porcentagem das exportações da África que a China recebe disparou de 1% para 15% na última década, enquanto a fatia das exportações da União Europeia para o gigante asiático caiu de 36% para 23% no mesmo período. A China é hoje o maior parceiro comercial da África.

Alguns africanos estão melindrados com uma relação que consideram desequilibrada. Reclamam que a China toma posse de recursos naturais africanos e muitas vezes favorece mão-de-obra e equipamentos chineses, sem transferir habilidades e tecnologias para o continente.  “A China leva nossos bens primários e nos vende os manufaturados. Esta foi também a essência do colonialismo”, criticou Lamido Sanusi, o governador do Banco Central da Nigéria, em artigo publicado no Financial Times no início deste ano.

O comércio entre China e África movimentou mais de US $ 200 bilhões em 2012, 20 vezes o que era em 2000, quando Pequim anunciou uma política de engajamento acelerado no continente. Foi um período de forte crescimento, em parte, graças à demanda asiática por recursos africanos. Mas um boom de commodities, de serviços e um aumento dos gastos dos consumidores africanos coincidiu com o declínio relativo da produção de manufaturados no continente, de 12,8 % para 10,5%  do PIB regional, segundo dados da ONU.

 

Fontes:
The New Yorker - China in Africa: The New Imperialists?

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2 Opiniões

  1. Mauricio Fernandez disse:

    O plano da China é simples. A África vem sendo explorada cruelmente por décadas com a conivência de organizações internacionais criadas com fins contrários. De forma menos sutil e mentirosa investe e retribui segundo cálculos que julga adequados quando comparados com os que costumeiramente se praticam. Serve para ambos os lados. Evidentemente que existem muitos ajustes. Os distanciamentos culturais são enormes e muitos problemas ainda ocorrerão. Mesmo assim as coisas ainda são muito melhores com os chineses do que com os verdugos de outras nações. O perigo que se vislumbra é o relatado na matéria, além do que, a China não vai abandonar o continente africano sem resistir e impor seu poderio econômico e bélico.

  2. Jorge Christian Rodrigues Cunha disse:

    Quando se vê um assunto desse tipo é como se tivéssemos um rolo de filme do qual só se visse um quadro; apenas um quadro de um filme muito, muito longo. Desde o surgimento das primeiras civilizações no Egito e na Mesopotâmia (atual Iraque) por volta de 4000 a.C., vários povos se sucederam na supremacia local ou mundial. A hegemonia ocidental que vemos hoje começou nas Grandes Navegações, no século XV. Tem apenas uns 600 anos, portanto (antes disso, no século XIV, a maior potência mundial era o Império Tártaro de Tamerlão, na Ásia). Se quiséssemos ter uma ideia do que isso significa, se fôssemos condensar a História do mundo numa fita de um metro, a hegemonia ocidental corresponderia apenas aos dez centímetros finais da fita. Nos séculos XV e XVI, já havia comércio de civilizações africanas de Moçambique com a China. Esses portos africanos foram destruídos a fogo de canhão por Portugal, que queria impor sua própria rede de comércio (que incluía comércio de escravos). O que vemos hoje é o retorno do mundo ao que ele era, antes dos Descobrimentos. Não me parece, também, que se possa levar a sério essas acusações de “imperialismo” contra a China (ela própria uma vítima do imperialismo no século XIX). Basta ver de quem partem as acusações: do Ocidente. E alguém foi mais imperialista do que os ocidentais?

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