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ECONOMIA DA ARGENTINA

Os primeiros obstáculos do governo Macri

O protesto contra o aumento dos serviços básicos de utilidade pública é a primeira grande crise do governo de Mauricio Macri

Os primeiros obstáculos do governo Macri
O aumento dos serviços básicos de utilidade pública gerou uma série de protestos no país inteiro (Foto: Wikimedia)

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As regiões com uma população numerosa na Argentina estão sofrendo com um calor intenso no verão e um frio extremo no inverno. A família Kirchner, que governou o país durante 12 anos até 2015, manteve o custo baixo dos serviços de utilidade pública. Mas essa política populista teve consequências econômicas sérias.

Os subsídios do setor de energia aumentaram de 1,5% nos gastos governamentais em 2005 para 12,3% em 2014. Em parte por causa desse aumento, o déficit orçamentário correspondeu a 5,4% do PIB no ano passado. Como a energia é barata, os consumidores não se preocupam em poupá-la.

Mauricio Macri, que sucedeu Cristina Fernández de Kirchner como presidente em dezembro, disse que a crise de energia é o problema mais complexo das “muitas bombas” herdadas do governo anterior. Logo após a posse do presidente Macri, o ministro da Energia, Juan José Aranguren, anunciou que cortaria pela metade o subsídio de US$16 bilhões do setor energético.

Em razão desse corte, a estimativa é que a maioria dos consumidores iria pagar quatro vezes mais pelo consumo de gás; e as tarifas de eletricidade teriam um aumento de seis vezes em relação ao preço anterior. Os consumidores receberam as contas mais altas em junho, no inverno mais frio na Argentina nos últimos 60 anos. O aumento dos serviços básicos de utilidade pública gerou uma série de protestos no país inteiro.

O governo não pode perder essa batalha. O aumento dos preços é vital para o plano de Macri de restaurar a confiança em uma economia debilitada por anos de gastos imprudentes, preços autodestrutivos, ineficiência dos controles regulatórios e nacionalismo econômico. Macri iniciou a presidência com uma estratégia de desvalorização do peso, eliminação dos impostos nas exportações de alimentos e um acordo com credores para o pagamento de títulos inadimplentes da dívida soberana da Argentina.

Como previsível, as medidas tiveram um impacto negativo na economia. Com a desvalorização do peso a taxa de inflação subiu mais de 30% antes do aumento das tarifas de gás e eletricidade. Os índices de crescimento, emprego e produção industrial caíram desde que Macri assumiu a presidência. Segundo o FMI, a economia terá uma redução de 1,5% este ano. A promessa de Macri que o acordo da Argentina com os credores iria estimular o investimento estrangeiro ainda não se concretizou.

A lua de mel do presidente Macri está terminando. Com as eleições legislativas em outubro de 2017, “o governo precisa mostrar resultados econômicos no primeiro trimestre do próximo ano”, disse Juan Cruz Díaz da empresa de consultoria Cefeidas Group. De acordo com o FMI, a economia irá se recuperar em 2017 e a previsão de crescimento é de 2,8%.

Fontes:
The Economist-It’s cold outside

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