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Obama na África

Os quenianos adoram Obama. Negócios à parte

Visita de Obama é festejada no Quênia, terra natal de seu pai, mas são os chineses quem mais investem no desenvolvimento do continente: três vezes mais do que os EUA

Os quenianos adoram Obama. Negócios à parte
Obama brinda ao presidente chinês Hu Jintao durante uma visita do mandatário à Casa Branca (Foto: Flickr/Reuters)

Quando o líder mais poderoso do mundo volta à mais humilde das raízes, o simbolismo do momento transcende as métricas normais da política. A viagem de Barack Obama ao Quênia, terra de seus antepassados ​​paternos, é, sem dúvida, importante para ele pessoalmente e para os quenianos que o abraçaram como um símbolo de esperança. Mas a viagem também é vista como uma oportunidade para Obama estreitar os laços econômicos entre EUA e o continente frente à pesada concorrência chinesa.

Os chineses estão empenhados na construção de estradas, moradias, escolas e outros grandes projetos de infraestrutura em todo o país, um padrão que se repete em muitas partes da África.

O comércio entre China e África, que somava US$ 222 bilhões em 2014, atualmente equivale a cerca de três vezes o comércio entre Estados Unidos e o continente africano, de acordo com dados do Banco Mundial e do governo americano.

Em entrevista à BBC às vésperas de sua viagem nesta sexta-feira, 24, Obama reconheceu que a China tem sido “capaz de canalizar uma enorme quantidade de dinheiro para a África, basicamente, em troca de matérias-primas que estão sendo extraídas da África”.

“O que é certamente verdade é que os Estados Unidos têm de ter uma presença para promover os valores que consideramos importantes”, disse ele.

Não será fácil alcançar os chineses na disputa pelos negócios africanos. Quando Uhuru Kenyatta, o atual presidente queniano, assumiu o cargo em 2013, ele claramente disse que era hora de o Quênia desviar o olhar do Ocidente para o Leste. Ele escolheu ir a Pequim e Moscou em sua primeira viagem internacional.

Um economista queniano disse ao New York Times que muitas vezes é bem mais complicado trabalhar com empresas ocidentais do que com os chineses porque os chineses não se preocupam com questões políticas locais.  A China, disse ele, também entrega seus projetos dentro do prazo.

Mas Obama promete se esforçar. Ele vai participar da primeira Cúpula Global de Empreendedorismo na África sub-saariana e, no fim de semana, deve assinar vários acordos bilaterais para facilitar investimentos de empresas americanas no Quênia. Isso pode ajudar a moldar um acordo envolvendo um consórcio de empresas privadas americanas, que está em negociação, preparando o terreno para um dos maiores projetos de investimentos ocidentais em infraestrutura no Quênia na história do país.

 

 

Fontes:
The New York Times - Obama to Push U.S. Trade in Kenya as China’s Role Grows
The New York Times - Layers of Meaning in Mr. Obama´s Kenya Trip

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