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Pacto entre Putin e seus aliados chechenos revela sua fragilidade

Presidente russo está tentando dar uma aparência de estabilidade a um acordo frágil de mútua dependência

Pacto entre Putin e seus aliados chechenos revela sua fragilidade
Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Ramzan Kadyrov, presidente da Chechênia (Fonte: Reprodução/RIA Novosti)

Os assassinos de Boris Nemtsov, um político liberal de oposição, em 27 de fevereiro, não esperavam ser presos. Isso é evidente pela ousadia com que cometeram o crime. Depois de matar Nemtsov com quatro tiros nas costas disparados de um carro, no centro de Moscou, os assassinos, em vez de atravessar o rio para fugir do centro da cidade, rodearam o Kremlin, passaram pelo Duma, o Parlamento russo, e viraram em uma rua bem iluminada de pedestres e automóveis. Os assassinos nem se preocuparam em queimar o carro usado na fuga.

Essa audácia levantou suspeitas de que os criminosos fossem assassinos profissionais chechenos, ligados a Ramzan Kadyrov, o presidente da Chechênia, e grande amigo de Vladimir Putin. Agora, diante dessa suspeita, algumas pessoas estão questionando a gravidade das consequências do aparente pacto sólido entre Putin e Kadyrov na imagem do líder russo.

Um ex-militante da causa chechena, Kadyrov saiu da obscuridade por iniciativa de Putin, que o nomeou presidente da antiga república rebelde do Cáucaso, como sucessor do pai após seu assassinato. Putin deu liberdade de ação a Kadyrov, sem obrigá-lo a obedecer às leis russas. Nos últimos dez anos, a Chechênia transformou-se em um estado islâmico independente sob o governo de Kadyrov. A República da Chechênia tem um exército de 20 mil soldados, um sistema (informal) de impostos e leis religiosas próprias.

Os riscos são grandes; Putin está tentando dar uma aparência de estabilidade a um acordo frágil de mútua dependência. Se o líder checheno perder o apoio do Kremlin, ele e os filhos homens correm perigo de vida em razão dos inúmeros “inimigos de sangue”. Por sua vez, Putin precisa de Kadyrov para manter a ordem na Chechênia. “O acordo entre Kadyrov e o dinheiro de Putin em troca de lealdade está terminando. Qual será o destino do exército de 20 mil soldados de Kadyrov? Quais serão suas exigências? Como irão agir? É possível que venham para Moscou?”. Essas perguntas inquietantes foram feitas por Boris Nemtsov pouco antes de morrer.

Fontes:
The Economist - Russia and Chechnya: The Caucasian connection

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