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DESESPERO NA NIGÉRIA

Pais de jovens de Chibok vivem angústia da incerteza

Centenas de pais seguem para a capital Abuja para obter notícia das filhas após Boko Haram libertar 82 jovens das mais de 200 sequestradas em Chibok, em 2014

Pais de jovens de Chibok vivem angústia da incerteza
Libertação faz parte da uma negociação do grupo com o governo (Foto: Twitter/Muhammadu Buhari‏)

O grupo extremista Boko Haram libertou neste fim de semana 82 estudantes que faziam parte das quase 276 jovens sequestradas em abril de 2014, em uma escola na cidade de Chibok, nordeste da Nigéria.

A medida faz parte da uma negociação com o governo, que concordou em soltar seis suspeitos de pertencer ao grupo em troca da libertação das meninas. As estudantes foram levadas a intermediários até uma cidade do noroeste, próximo à fronteira com Camarões. De lá, foram levadas para a capital, Abuja, para se encontrar com o presidente nigeriano, Muhammadu Buhari.

A notícia levou centenas de parentes das jovens a se dirigir para Abuja para saber do governo se seus entes queridos estão entre as estudantes libertadas.

Um deles foi o reverendo Enoch Mark, que teve as duas filhas sequestradas. A princípio, ele tratou a notícia com ceticismo, já que não era a primeira vez que ele ouvia boatos sobre meninas libertadas.

Porém, quando o governo confirmou oficialmente o anúncio e uma lista não oficial começou a circular com os nomes das meninas libertas, ele seguiu imediatamente para a capital. “Esperamos que Deus faça algo por nós”, disse Mark, em entrevista ao New York Times. Infelizmente, os nomes de suas filhas não estavam na lista.

O mesmo aconteceu com Esther Yakubu. Assim que soube da notícia, ela seguiu para Abuja, tomada pela incerteza, sem saber se sua filha estava na capital, sã e segura, ou se continuava sob o domínio do grupo extremista. Ao chegar, ela não encontrou o nome de sua filha, Dorcas, na lista.

O sequestro das estudantes de Chibok é um dos incontáveis atos hediondos do Boko Haram, que impõe uma campanha de assassinatos, estupros e incêndios de vilarejos inteiros onde vivem algumas das populações mais pobres do mundo. Mais de dois milhões de pessoas já deixaram suas casas para fugir da violência do grupo.

Desde 2014, algumas meninas sequestradas foram libertadas. Há seis meses, o grupo libertou 21 estudantes e uma jovem foi resgatada pelas forças do governo, após fugir do grupo e ser encontrada vagando numa floresta em busca de alimento. As identidades das jovens libertadas ou resgatadas não estão sendo divulgadas ao público, apenas aos parentes mais próximos.

A libertação das 82 estudantes foi celebrada por Buhari, que chegou ao poder em 2015 prometendo esmagar o Boko Haram. De fato, o grupo vem sofrendo forte pressão. Militares se infiltraram em seus maiores acampamentos e esconderijos nas florestas, matando ou prendendo extremistas em uma campanha agressiva que, por vezes, afeta civis inocentes.

Sem ter onde se esconder, o grupo se dispersou e seus membros, atualmente, sofrem da mesma fome que impõem a civis que vivem sob seu domínio. No momento, a principal estratégia do grupo tem sido sequestrar jovens e crianças que, depois, são enviados a mercados movimentados ou campos de refugiados com explosivos acoplados aos corpos para serem detonados. O Boko Haram também passa por uma rixa interna que dividiu o grupo em duas facções, sendo uma delas reconhecidas pelo Estado Islâmico.

Fontes:
The New York Times-After Boko Haram Releases Nigerian Girls, an Anguished Wait for Parents

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