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DIPLOMACIA

Países assinam carta contra corrupção na Cúpula das Américas

Cúpula das Américas reuniu fortes críticas à situação na Venezuela, além de uma grande discussão entre Cuba e os Estados Unidos

Países assinam carta contra corrupção na Cúpula das Américas
Críticas à Venezuela mostram enfraquecimento da era bolivariana (Foto: Twitter/Juan Manuel Santos)

A 8ª Cúpula da Américas aconteceu em Lima, no Peru, no último final de semana. Com presidentes e representantes de dezenas de países americanos reunidos, foi firmado um compromisso com 57 pontos. O documento, chamado de Compromisso de Lima, objetiva fortalecer a democracia no continente americano.

Entre os principais pontos do documento contra a corrupção estão: a prevenção de corrupção em obras públicas; o fortalecimento de mecanismos interamericanos contra a corrupção; a proteção de denunciantes, dos direitos humanos e a garantia da liberdade de expressão; a maior cooperação entre órgãos judiciais, policiais e administrativos em atividades relacionadas a medidas anticorrupção; entre outros.

Além disso, a maioria dos participantes do encontro criticou duramente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que não compareceu à cúpula, pois teve o seu convite retirado. Entre as nações mais influentes, apenas o boliviano Evo Morales e o chanceler cubano Bruno Rodríguez mantiveram seu apoio a Maduro e criticaram os Estados Unidos por sua interferência na política no continente.

“A principal ameaça contra a paz e o multilateralismo é o governo dos EUA. Virando as costas ao acordo de Paris, constrói muros, gasta centenas de milhões de dólares para continuar construindo armas de destruição em massa. A Bolívia condena as ameaças dos EUA de invasão da Venezuela. Lamentamos que Maduro não esteja aqui por pressões dos EUA”, afirmou Morales, segundo divulgou o El País.

Como forma de pressionar a Venezuela e combater a corrupção, 15 países assinaram um documento afirmando que não reconhecerão as eleições presidenciais venezuelanas, que ocorrem em maio.

A quantidade de assinaturas não é suficiente para ativar a carta democrática da Organização dos Estados Americanos (OEA) – seria necessária a representação de 23 nações. A carta define os principais elementos de uma democracia, e pode ser acionada, desde que aprovada, em casos de risco à democracia.

O presidente boliviano também se posicionou contra esse possível não reconhecimento de países americanos influentes – como Estados Unidos, Canadá, Argentina e Brasil – às eleições venezuelanas. Através das redes sociais, no último domingo, 15, Morales afirmou que “presidentes revolucionários não precisam de reconhecimento de países submissos ao império”. A mensagem foi compartilhada pelo presidente Maduro.

A aceitação de tantos países ao documento contra as eleições venezuelanas coloca em evidência o fim da era bolivariana, quando muitos países latino-americanos contavam com presidentes de esquerda e extrema-esquerda. Porém, a não assinatura da carta por alguns países, mesmo não sendo eles influentes em um conceito global, mostra que Maduro ainda conta com o apoio de alguns países, dentre eles, pequenas nações da América Central, que são dependentes da Venezuela.

Crise na Venezuela

Os principais presidentes americanos que estiveram presentes na Cúpula das Américas se posicionaram sobre a crise política, econômica e humanitária que a Venezuela atravessa. Os chefes de Estados relembraram a migração que o povo venezuelano está sendo obrigado a fazer, e criticaram o posicionamento do presidente Maduro frente aos problemas enfrentados no país.

“Ao recordar que a democracia é um dos pilares de nossa integração, não podemos deixar de mencionar a crise política, econômica e humanitária que atravessa país vizinho e irmão. Temos acolhido dezenas de milhares de venezuelanos que buscam, no Brasil, condições para uma vida digna. Já não há espaço, em nossa região, para alternativas à democracia”, afirmou o presidente brasileiro Michel Temer, através das redes sociais.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, reforçou o seu posicionamento contrário às eleições venezuelanas que acontecerão em maio. Macri também destacou que é necessário “redobrar os esforços” para que o governo da Venezuela aceite ajuda humanitária ao seu povo. As afirmações de Macri foram reforçadas pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau. “Trabalhamos para devolver a democracia à Venezuela, é inaceitável. Quem é amigo da Venezuela deve pensar primeiro no povo venezuelano”, afirmou Trudeau.

Assim como o Brasil, a Colômbia tem recebido milhares de venezuelanos que continuam deixando o país em busca de melhores condições de vida. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, também garantiu que não vai reconhecer o resultado das eleições da Venezuela, mostrando grande preocupação com o povo venezuelano.

“Somos generosos com o povo venezuelano, mas seremos implacáveis com o regime que tanto dano causa. Não reconheceremos os resultados de eleições projetadas para dissimular uma ditadura. É incrível que Maduro continue negando tudo, enquanto o mundo vê como o povo venezuelano morre de fome. 15% da população migrou, especialmente à Colômbia”, destacou Santos.

Estados Unidos x Cuba

Mesmo com a ausência do presidente americano, Donald Trump, e do líder cubano, Raúl Castro, Washington e Havana elevaram a tensão durante a cúpula, com fortes críticas sendo dirigidas a ambos os lados. O vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, que representou o país na Cúpula, fez duras críticas à política de Cuba, afirmando, inclusive, que a ilha tem influência na profunda crise econômica e humanitária da Venezuela.

“A maior corrupção ocorre quando as pessoas perdem sua voz por ação dos ditadores. Enquanto falávamos, um regime comunista oprime sua população em Cuba com Castro. Continuaremos apoiando os cubanos que pedem por sua liberdade. Cuba exportou sua ideologia fracassada, ajudando a ditadura corrupta da Venezuela. Maduro prometeu prosperidade e os levou à pobreza. A Venezuela está no caos. Nove em cada dez venezuelanos vivem na pobreza. É o maior êxodo de nossa história. É um Estado falido”, apontou Pence.

O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, que estava representando o país na reunião, revidou duramente os ataques de Pence. Segundo Rodríguez, os Estados Unidos tiveram influência em grandes mudanças de governo na América Latina, inclusive nas ditaduras. Além disso, o chanceler cubano fez duras críticas à política interna e externa americana, fazendo referência ao recente ataque dos Estados Unidos na Síria.

“O país de Pence foi o único a usar uma arma nuclear contra civis inocentes. É responsável pelo massacre de civis, crianças, mulheres e idosos, que chama de danos colaterais. É o autor de violações maciças dos direitos humanos de sua própria população afro-americana. É uma vergonha à humanidade que nesse país de extrema riqueza existam milhões de pobres. Têm um padrão de diferenciação racial nas prisões. O sistema eleitoral que o elegeu é corrupto por natureza porque é sustentado pelas contribuições corporativas. Promove um protecionismo feroz. Impôs a ideia de que a mudança climática é uma invenção”, destacou Rodríguez.

 

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Leia também: Países do G-20 traçam estratégias para ajudar venezuelanos

Fontes:
El Pais-Cúpula das Américas marca o final da era bolivariana na região
G1-Sem consenso sobre a Venezuela, Cúpula das Américas termina com compromisso contra a corrupção
Correio-Cúpula das Américas termina com carta contra corrupção

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1 Opinião

  1. q1z\''q disse:

    sabendo-se que o Brasil é politicamente corrupto,chega a ser imoral a participação do mesmo na reunião,apesar de ter encontrado muitos ALI-BABÁS que lá estavam.na realidade éra o picadeiro de um grande circo,cujo espetáculo foi deprimente.

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