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MAUS-TRATOS INFANTIS

Países da África fecham orfanatos em condições precárias

Diversos países da África estão fechando os orfanatos por não terem condições de abrigar e educar as crianças

Países da África fecham orfanatos em condições precárias
Mais de um terço das crianças abrigadas nessas instituições sofrem maus-tratos (Foto: Flickr/US Army Africa)

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Arlene Brown preocupa-se com o futuro das 52 crianças que estão sob seus cuidados. A ex-enfermeira da Pensilvânia fundou o orfanato Urukundo Village na cidade de Muhanga, em Ruanda, em 2006. Metade das crianças mora com ela. Outras estudam em internatos e os mais velhos estão na universidade. “Não quero me separar dos meus filhos”, disse Arlene.

Porém, é provável que isso aconteça. Mais da metade dos orfanatos de Ruanda fecharam desde 2012, quando o governo decidiu que as crianças não eram bem tratadas nessas instituições. Hoje, só existem 14 orfanatos no país, segundo dados da ONG inglesa Hope e Homes for Children (HHC), que está orientando o governo no encerramento das atividades dessas instituições. Há 10 anos, havia cerca de 400 orfanatos no país.

O número de orfanatos aumentou na África nos últimos em razão das guerras, doenças e desastres naturais. Em Uganda, o número de crianças abrigadas nessas instituições aumentou de 2.900 em 1992 para 50 mil em 2013. Mas seguindo a tendência atual cerca de 100 orfanatos foram fechados de 2010 a 2015, em Gana. O governo etíope fechou diversos orfanatos a partir de 2011. A HHC está ajudando o Sudão e a África do Sul a encerrar as atividades de seus orfanatos.

Mais de um terço das crianças abrigadas nessas instituições sofrem maus-tratos, disse a HHC. Além disso, alguns orfanatos exploram o sentimento de pena que os órfãos inspiram, com o convite a “turistas” para visitá-los na esperança que doem dinheiro.

Alguns orfanatos abrigam um número maior de crianças por interesse econômico. Uma pesquisa realizada no Malawi revelou que 52% dos orfanatos do país estavam recrutando crianças com pais e parentes vivos. Em Ruanda, um terço dos órfãos tem contato regular com parentes, que poderiam cuidar deles.

Porém, essa realidade não se aplica aos pequenos orfanatos administrados pelas comunidades em várias regiões da África. De acordo com uma pesquisa realizada por Kathryn Whetten da Universidade de Duke, no leste da África, assim como no Camboja e na Índia, as crianças criadas nesses orfanatos vivem às vezes melhor do que em seu ambiente familiar.

Fontes:
The Economist-Closing African orphanages may be less heartless than it seems

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