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CRISE HUMANITÁRIA

Países do G-20 traçam estratégias para ajudar venezuelanos

Grupo sugere a criação de fundo internacional para ajudar refugiados. Em Mucajaí (RR), manifestantes expulsaram venezuelanos de prédio

Países do G-20 traçam estratégias para ajudar venezuelanos
Venezuelanos seguram cartazes em busca de emprego em Boa Vista (Foto: UNODC)

Ministros de Economia e Finanças de países do G-20 se reuniram na última segunda-feira, 19, na capital argentina Buenos Aires, para falar sobre a crise econômica e humanitária na Venezuela, que já resultou na migração de mais de 2 milhões de venezuelanos para outros países.

Entre as principais medidas propostas pelo grupo, apoiada por aproximadamente dez países, está solicitar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a criação de um fundo multilateral para auxiliar os refugiados venezuelanos. O dinheiro não iria ser controlado pela Venezuela, mas pelos países que estão recebendo os migrantes, como o Brasil, que já recebeu mais de 40 mil venezuelanos, e a Colômbia, que abriga mais de 340 mil refugiados.

Além disso, os países do grupo estão traçando outras estratégias para pressionar o governo de Nicolás Maduro por eleições “livres, justas e duradouras”, conforme anunciou a assessoria de imprensa do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, através de uma nota.

Outros blocos geopolíticos, como o Grupo de Lima, a União Europeia e a Organização dos Estados Americanos (OEA) já fizeram o mesmo apelo por um pleito igualitário na Venezuela. As eleições presidenciais venezuelanas vão ocorrer em maio.

O ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, por exemplo, já anunciou, durante uma entrevista coletiva, que o governo brasileiro vai exigir de Caracas a quitação de uma dívida de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 4,28 bilhões).

“Falou-se de sanções e de outras medidas. O Brasil reafirmou que cobraria a dívida que a Venezuela tem conosco, que é de US$ 1,3 bilhão e já estamos cobrando. Outros países têm optado por outros tipos de medidas, mas há também alguns, como Rússia e China, que têm aceito a moratória”, explicou Meirelles, conforme divulgou uma reportagem da Folha de São Paulo.

Outra possibilidade frequentemente levantada é a aplicação de novas sanções à Venezuela, mas países aliados do governo Maduro, como Bolívia e Equador, são contrários à medida. Desde o meio do ano passado, em outra cúpula do G-20, na Alemanha, a Argentina já denunciava “a violação dos direitos humanos na Venezuela”.

Participaram da reunião ministros e representantes de todos os países europeus do G-20, além de Brasil, Estados Unidos, Japão e Argentina. O governo argentino ainda convidou representantes do México, Peru, Colômbia, Chile e Paraguai a participarem do debate. Representantes da Alemanha e da França também estiveram no encontro, mas apenas como observadores.

Venezuelanos são atacados em Roraima

Ainda na última segunda-feira, 19, uma manifestação reuniu cerca de 300 pessoas em Mucajaí, em Roraima, pela morte do morador Eulis Marinho de Souza, de 49 anos, que teria sido vítima de latrocínio, segundo a filha Irieda Marinho de Souza. No entanto, segundo os organizadores e participantes do ato, Eulis teria morrido por estar no mesmo lugar onde houve uma briga entre venezuelanos. O jovem venezuelano Luís José Figueira Guilen, de 19 anos, foi morto a facadas no mesmo local.

Durante a manifestação, os moradores de Mucajaí entraram em um prédio abandonado, que está sendo utilizado por refugiados, expulsaram os venezuelanos do local e atearam fogo em objetos deixados para trás. Segundo o relato de um comerciante local ao portal G1, havia crianças e mulheres saindo do prédio com medo.

Além disso, os manifestantes teriam ateado fogo em pneus, interditando um trecho da BR-174 durante mais de uma hora. Paulo Carvalho, um dos organizadores do movimento, disse que o grupo só ateou fogo em roupas quando já não havia mais venezuelanos no prédio, não considerando o ato como um crime ou vandalismo.

Já o pastor João Batista, um dos líderes do movimento, foi mais enfático ao falar sobre os venezuelanos em Roraima. “Não aguentamos mais a presença deles. Queremos que as autoridades façam alguma coisa. Há muitos roubos e furtos em nossa cidade”, afirmou ao G1.

José Dias, taxista e morador da cidade, discorda da ação dos manifestantes, lembrando que o caso da morte de Eulis ainda não foi solucionado. “Sou contra esse tipo de atitude. O caso da morte ainda nem foi esclarecido e ainda que um venezuelano tenha errado, não são todos que devem pagar pelo ato de um só”, argumentou Dias.

O venezuelano João Marinho, de 18 anos, morava no prédio que foi invadido pelos brasileiros. Agora, com medo da violência, vai deixar a cidade. “Estou aqui trabalhando, não sou criminoso. É muito triste. Não podemos pagar pelo erro de outros venezuelanos. Há pessoas boas que vêm para o Brasil”, disse ele.

Fontes:
El País-Brasil exigirá da Venezuela a quitação de uma dívida de 1,3 bilhão de dólares
UOL-G20 debate formas de abordar "tragédia econômica e humanitária" venezuelana
Folha de São Paulo-G20 proporá ao FMI criação de fundo para venezuelanos
G1-Moradores ateiam fogo em objetos e expulsam venezuelanos de prédio abandonado durante protesto em RR

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3 Opiniões

  1. laercio disse:

    Entendo que escolaridade não é o maior dos males que propiciam o mau eleitor!
    Conheço muitos analfabetos bem esclarecidos, donos de empresas, pessoas de bem, etc..

    Nosso problema é um câncer! Uma praga chamada mídia! Não todas mas uma parte delas está a serviço de apátridas e outros lixos que astuciosamente projetam falsas informações confundindo a opinião pública.

  2. Markut disse:

    Com urna eletrônica, ou não, é o eleitor mal escolarizado,sujeito ao malfadado populismo predador, que responde pelas péssimas escolhas dos seus representantes, aquí, ou alhures,onde o voto seja o degrau para os aventureiros se aboletarem no poder,pensando apenas em seus respectivos umbigos.

  3. Natanael Ferraz disse:

    Os venezuelanos escolheram seus lideres, toda escolha envolve responsabilidades, se não sabiam no que ia dar, agora sabem que o preço da ignorância é o mais alto de todos.
    O problema é que lá eles também usam urnas eletrônicas…daí quem garante que eles escolheram mesmo?

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