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VENEZUELA

Países e entidades criticam gestão de Maduro por morte de militar

Comunidade internacional acusa governo Maduro de ser responsável pela morte do militar, e solicita uma investigação sobre o caso

Países e entidades criticam gestão de Maduro por morte de militar
Capitão Acosta Arévalo morreu na madrugada do último sábado, 29 (Foto: Tamara Suju/Twitter)

O governo de Nicolás Maduro tornou a ser alvo de críticas da comunidade internacional no último final de semana. Diferentes entidades e países lamentaram a morte de um militar, que estava sob custódia do governo, desencadeando um novo capítulo de tensão.

A morte do capitão Rafael Acosta Arévalo ocorreu no último sábado, 29, dias depois que a Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, visitou o país.

O militar teria se sentido mal na última sexta-feira, 28, e desmaiado durante uma audiência em um tribunal. O juiz, então, ordenou a transferência de Acosta Arévalo para um hospital, onde ele morreu horas depois.

Antes de tomar conhecimento da morte, a divisão de Direitos Humanos da ONU chegou a celebrar, pelas redes sociais, a libertação de 59 colombianos que ficaram detidos na Venezuela por quase três anos. “É um sinal positivo de que o governo está cumprindo os compromissos dos Direitos Humanos acordados na recente visita de Michelle Bachelet”, informou a organização.

Sobre a morte, a ONU ainda não se manifestou oficialmente, mas membros da oposição venezuelana e autoridades americanas atribuem culpa ao governo de Nicolás Maduro, o qual consideram ilegítimo.

O autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, lamentou a morte do capitão, afirmou que já está em contato com a ONU e destacou que para “salvar a pátria e a instituição militar” é necessário “expulsar invasores cubanos e defender a Constituição”.

A Assembleia Nacional, a qual Guaidó ocupa o cargo de presidente, por sua vez, endereçou duas cartas à Michelle Bachelet solicitando uma “investigação exaustiva” do caso. De acordo com as cartas, o militar admitiu que teria sido torturado pelo governo Maduro. Segundo a Assembleia Nacional, esse é “só mais um caso das torturas e graves violações dos direitos humanos” promovidos pela Direção Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela (DGCIM).

Enquanto a primeira carta se concentrou em solicitar investigações sobre a morte de Acosta Arévalo, a segunda carta, enviada no último domingo, 30, pedia um estudo sobre as condições de outros militares detidos pelo governo Maduro. Os militares teriam sido presos entre os dias 21 e 23 de junho.

A Presidência da Venezuela, sob o comando de Guaidó, por sua vez, enviou um comunicado a entidades, como a Comissão de Direitos Humanos da ONU, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Penal Internacional, para solicitar uma investigação forense independente do caso; investigar os casos de tortura e desaparecimentos; e checar o estado de saúde de militares detidos.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, também usou as redes sociais para destacar o apoio da entidade às solicitações feitas pela Presidência da Venezuela. “Verdade e justiça pelo assassinato do capitão Rafael Acosta”, escreveu Almagro.

Já o Grupo de Lima, formado por 12 países do continente americano, divulgou um comunicado no último domingo, classificando a morte do militar como um “assassinato”. De acordo com o grupo, o capitão havia sido detido no último dia 21 de junho. Já no dia 28 de junho, uma semana depois, um dia antes de sua morte, o militar apresentava “sinais de tortura”.

“O Grupo de Lima repudia as contínuas práticas de detenções arbitrárias e torturas as quais o regime ilegítimo de Nicolás Maduro comete a quem considera opositor, e urge à comunidade internacional, em especial ao Escritório do Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, a atuar sem demora para que os direitos humanos dos venezuelanos sejam restabelecidos e sua integridade protegida”, concluiu o grupo.

Já os Estados Unidos se pronunciaram através do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, da Secretaria de Estado e da Embaixada do país na Venezuela. Todas as autoridades americanas destacaram a suspeita de tortura sofrida pelo capitão Acosta Arévalo. Segundo Bolton, a DGCIM é responsável pela tortura e morte do militar.

A Secretaria de Estado dos EUA apontou a participação de “assessores cubanos” e afirmou que Maduro continuará “matando, roubando e mentindo para continuar no poder”. Enquanto isso, a porta-voz da secretaria, Morgan Ortagus, garantiu que os Estados Unidos continuarão apoiando o povo da Venezuela na busca para “restaurar a democracia”.

O que diz a Venezuela

Através de um comunicado, o Ministério da Defesa revelou que, após desmaiar durante uma audiência em um tribunal, o capitão Rafael Acosta Arévalo foi encaminhado para um hospital, onde morreu horas depois.

Por isso, o presidente reeleito, Nicolás Maduro, solicitou ao Ministério Público e demais autoridades uma “profunda investigação” sobre o caso, buscando determinar as circunstâncias nas quais o militar foi a óbito. Por fim, o Ministério da Defesa expressou “suas mais sinceras palavras de condolências” aos familiares do militar.

Fontes:
AFP-Comunidade internacional apela à ONU após morte de militar na prisão na Venezuela

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2 Opiniões

  1. DINARTE DA COSTA PASSOS disse:

    Tortura é tortura e deve ser condenado. Não importa se os torturadores são de direita ou de esquerda. Mas uma coisa é certa quando os militares brasileiros torturavam em massa e matavam no interior do DOI-CODI, os americanos e os direitistas sem vergonhas não falavam nada. Botavam o rabinho no vão das pernas e saiam de fininho. É esta prática indecente de só condenar o que a esquerda faz e de louvar o mesmo ato praticado pela direita que leva a falta de Justiça.

  2. luis moura disse:

    Nós temos que resolver os problemas de hoje. O governo de Maduro está praticando graves crimes de Direitos Humanos há muito tempo. Isso é fato e tem que ser combatido. No caso do Brasil e de vários outros países, essa questão já foi resolvida. Fora Maduro, fora genocida.

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