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Paralelos entre o apartheid e a crise Argentina

Em momento de instabilidade econômica e política, ambos os países precisam ouvir as vozes das entidades internacionais

Paralelos entre o apartheid e a crise Argentina
Cristina Kirchner, presidente da Argentina (Reprodução/Internet)

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Algumas das principais marcas de luxo, como a Louis Vuitton – uma das favoritas de Cristina Kirchner, presidente da Argentina – anunciaram que estão fechando as portas no país. A debandada do mercado de luxo evidencia o precipício econômico em que a Argentina se encontra. Com controles cambiais draconianos, manipulação de dados econômicos e a supressão de importações, os argentinos se apressam para trocar seus pesos por dólares.

De acordo com o o ex-embaixador sul-africano na Argentina, Tony Leon, o desempenho econômico do governo de Cristina Kirchner lembra em alguns aspectos o governo do apartheid na África do Sul em seu ponto mais crítico, em 1980. O momento era de moedas duplas, distúrbios civis, sanções internacionais e taxas de juros altíssimas. Na época, o país foi isolado do mundo por causa de suas políticas raciais. Agora, a Argentina está cada vez mais isolada por causa de sua excêntrica política econômica. Em ambos os casos, os governos compartilham a determinação de desafiar o mundo pelo maior tempo possível.

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Em discurso na recente convenção da ONU, Cristina Kirchner rebateu Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, que havia ameaçado a Argentina com “cartão vermelho” por causa de suas estatísticas infladas. Invocando a “independência soberana” para justificar o comportamento da Argentina, a presidente Kirchner parecia P.W. Botha, o derrotado ex-presidente da África do Sul. Para o embaixador, a diferença crucial é que Cristina Kirchner recebeu um mandato democrático e enfático em outubro do ano passado, bem diferente do caso sul-africano.

Segundo Leon, há algumas semanas, no entanto, era impossível ignorar  no centro de Buenos Aires o ruído do bater de panelas que sinalizava o crescente descontentamento da classe média. Estima-se que 60 mil manifestantes exigiram o fim das restrições de dólares, mais segurança de combate ao crime que devasta os subúrbios e, o mais evidente de todos os cartazes, a oposição à alteração da Constituição para permitir que Kirchner tenha poder ilimitado no cargo.

Para Leon, o retorno das manifestações de rua assustou o país, já que este era o som e método que, durante a crise financeira da Argentina, em 2001, forçou a saída do presidente Fernando de la Rúa. Foi quando o país registrou o maior déficit da dívida soberana na história e viu a nomeação de cinco presidentes em um período de três semanas. O país precisou de pelo menos cinco anos para se recuperar e se estabilizar.

Hoje, a Argentina tem uma dívida menor e controla a sua própria moeda. Mas se Cristina Kirchner não ouvir o que diz o resto do mundo e intervir com mão pesada nos mercados, seu governo pagará um preço alto. Em setembro, a Argentina descobriu que a agência financeira reguladora Moody´s rebaixou de “estável” para “negativo” 30 bancos do país em resposta a um decreto do governo impondo novos requisitos para empréstimos às instituições financeiras. A África do Sul, cuja economia de US $ 400 bilhões quase coincide exatamente com a da Argentina, também recebeu o seu próprio cartão amarelo da Moody´s em setembro, quando sua classificação de títulos do governo foi rebaixada. A agência reguladora citou preocupações sobre a estabilidade política em meio a conflitos trabalhistas e tensões socioeconômicas. Na África do Sul há muita discussão sobre nacionalizações. Em abril, Cristina Kirchner assumiu o controle da companhia petrolífera YPF, da Espanha. Em ambos os casos, o efeito sobre o investimento estrangeiro é arrepiante.

Argentina e África do Sul são poderes importantes do sul e membros importantes do G20. Para se manterem na primeira divisão do mundo, porém, ambos precisam dar atenção às vozes e aos sinais do mercado.

Fontes:
Financial Times - Parallels between apartheid and Argentina

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