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Parlamento britânico volta a rejeitar novas eleições

Proposta de Boris Johnson é derrotada pela 2ª vez. Parlamentares aprovam lei que obriga o primeiro-ministro a pedir adiamento do prazo do Brexit

Parlamento britânico volta a rejeitar novas eleições
Quase metade do Parlamento se absteve da votação (Foto: UK Parliament/YouTube)

O Parlamento do Reino Unido voltou a rejeitar a convocação de novas eleições parlamentares antes do fim do prazo do Brexit – processo de separação da União Europeia -, previsto para o próximo dia 31 de outubro.

A proposta foi apresentada na última segunda-feira, 9, pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson – pela segunda vez.

Os parlamentares já tinham rejeitado a convocação de novas eleições na semana passada e tornaram a fazê-lo nas primeiras horas da madrugada desta terça-feira, 10, (fim da noite da última segunda-feira, 9, no horário de Brasília). O Parlamento, agora, está suspenso até o próximo dia 14 de outubro, pouco mais de 15 dias antes do prazo final do Brexit.

Para convocar novas eleições, Boris Johnson precisava do apoio de 434 dos 650 parlamentares que compõem a Câmara dos Comuns, o que representa dois terços do Parlamento. Porém, só conseguiu obter 293 votos a favor.

O resultado é pior que o alcançado por Johnson na última quarta-feira, 4, quando tentou pela primeira vez, conseguindo o apoio de 298 políticos.

Outros 46 parlamentares votaram contra e 311 se abstiveram, inclusive membros do Partido Conservador, do primeiro-ministro, que é maioria no Parlamento.

Ao todo, 279 dos 288 deputados conservadores foram favoráveis à convocação de novas eleições. A proposta de Johnson também recebeu o apoio de todos os dez deputados do Partido Sindicalista Democrático (DUP, na sigla em inglês), de três dos 35 parlamentares independentes e de um dos 17 membros do partido Democrata Liberal (LD, em inglês).

A rejeição a novas eleições é mais uma derrota que Johnson soma no Parlamento britânico. Desde que conquistou a suspensão do Parlamento por cinco semanas, aprovada pela Rainha Elizabeth II, o primeiro-ministro tem enfrentado críticas e obstáculos, inclusive dentro do Partido Conservador.

Nos últimos dias, além de enfrentar renúncias de membros influentes, inclusive de seu próprio irmão, Bo Johnson, o primeiro-ministro expulsou do partido 21 parlamentares rebeldes. Ao tentar convocar novas eleições, Johnson ironizou o líder oposicionista Jeremy Coryn, do Partido Trabalhista, afirmando que ele é o “o primeiro oposicionista da história do Reino Unido” a rejeitar um novo pleito.

Porém, de acordo com o economista sênior Kallum Pickering, do Berenberg Bank, faz pouco sentido que os opositores apoiem novas eleições no momento. “Para os partidos da oposição, faz pouco sentido conceder a Johnson a eleição em seus termos. Isso devolveria a iniciativa a ele”, explicou Pickering.

Corbyn, por sua vez, esclareceu que não é completamente contrário à convocação de novas eleições, mas afirmou que apenas apoiará um possível novo pleito após a possibilidade de um Brexit sem acordo ter sido completamente rejeitada. Para o líder trabalhista, a saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo pode causar grandes impactos econômicos.

Por isso, o Parlamento britânico aprovou na última segunda-feira, 9, com a concessão da Rainha Elizabeth II, uma lei que obriga o primeiro-ministro a pedir um novo adiamento do Brexit, caso um acordo não seja aprovado até o próximo dia 19 de outubro. Johnson, porém, já afirmou ser contrário a esse pedido, garantindo que preferia estar “morto em uma vala” do que solicitar um novo prazo.

Leia mais: Johnson tenta antecipar eleições pela segunda vez

Fontes:
The New York Times-For Boris Johnson, Another Bad Day and Another Big Defeat in Parliament
DW-Parlamento volta a rejeitar eleições antecipadas no Reino Unido

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