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APÓS ELEIÇÕES

Parlamento Europeu está mais verde e populista

Partidos tradicionais ainda contam com a maior fatia de representação no Parlamento Europeu, mas não são maioria absoluta

Parlamento Europeu está mais verde e populista
Eleições impuseram derrotas a Macron e Merkel (Foto: European Parliament/Flickr)

O Parlamento Europeu, órgão da União Europeia (EU), está mais verde e populista. Apesar dos partidos tradicionais ainda serem os principais representantes, grupos eurocéticos e ambientalistas cresceram nas eleições que terminaram no último domingo, 26.

As eleições podem ditar os rumos que a União Europeia seguirá após o Brexit – processo de separação do Reino Unido do bloco econômico -, que deve ocorrer ainda este ano. Na Alemanha e na França, que contam com as principais lideranças pró-UE – Angela Merkel e Emmanuel Macron -, os principais partidos perderam força.

A França, que é um dos principais países da UE, por exemplo, teve 22 eurodeputados eurocéticos do partido Europa das Nações e Grupo da Liberdade (ENF) eleitos. O resultado fortalece Marine Le Pen, de extrema-direita, e o partido Reunião Nacional, de caráter nacionalista. A França elegeu, ao todo, 79 eurodeputados, cinco a mais do que nas eleições de 2014.

Já a Alemanha, que é o principal país da União Europeia, elegeu 96 eurodeputados. A maioria dos eurodeputados alemães é do Partido Popular Europeu (EPP, em inglês), de centro-direita – um total de 29. Juntamente com o Socialistas & Democratas (S&D), de centro-esquerda, que elegeu 16 eurodeputados, a coalizão ainda é a principal do país, com 45 parlamentares. No entanto, os alemães viram a ascensão do Grupo dos Verdes / Aliança Livre Europeia (Verdes/ALE), que elegeu 21 eurodeputados ambientalistas.

Na Itália, como já era esperado, a extrema-direita levou a melhor, fortalecendo o movimento eurocético dentro do Parlamento Europeu. Isso porque os italianos elegeram, ao todo, 42 deputados dos principais blocos eurocéticos, o ENF – com 28 parlamentares – e Europa da Liberdade e da Democracia Direta (EFDD), com 14 eurodeputados.

Eleições

A ascensão dos ambientalistas e dos eurocéticos provocou uma derrota para o EPP e S&D, de centro, que tradicionalmente mantinham mais de 50% dos assentos no Parlamento. Agora, com as mais recentes eleições, os partidos somam 326 lugares (43,4%), precisando do apoio de outros blocos para aprovar medidas.

Individualmente, tanto o EPP, quanto o S&D tinham maior representação entre 2014 e 2019. O EPP contava com 29,4% do Parlamento, enquanto atualmente tem 24%. Já o S&D, que segue sendo a segunda maior bancada, tinha 25,4% dos eurodeputados no pleito anterior, enquanto, agora, tem 19,4%.

Já os ambientalistas cresceram. Com 69 eurodeputados, o Verdes/ALE conta com 9,2% do Parlamento. O Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL) conquistou 39 assentos, com 5,2% do Parlamento Europeu.

“O eleitorado está clamando por mudanças e, portanto, é volátil – preferindo patrocinar novos insurgentes em vez dos partidos status quo que existem há décadas. […] O medo de uma tomada de extrema-direita do Parlamento Europeu mobilizou as forças pró-europeias da Europa, resultando num enorme aumento na participação e no apoio aos partidos Verde e Liberal em toda a Europa”, avaliou o diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Mark Leonard, segundo noticiou o New York Times.

Os eurocéticos, representados pelo ENF e EFDD, conquistaram 112 assentos, representando 14,9% do Parlamento. Em algumas pautas, porém, os grupos podem conquistar o apoio do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), que conquistou 59 assentos (7,9%). Isso porque, apesar de não serem eurocéticos, os eurodeputados da legenda são a favor de uma reforma na União Europeia.

A ascensão foi vista com bons olhos pelo primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que é alinhado politicamente com o ministro do Interior e vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini. Segundo Orbán, o resultado das eleições do Parlamento Europeu pode fazer uma mudança favorável a partidos que são contrários à imigração.

Por outro lado, os eurodeputados não aliados a nenhum grupo político no Parlamento ocupam 37 cadeiras. Ao todo, são eleitos 751 eurodeputados para o Parlamento Europeu, que iniciam o mandato ainda neste ano, encerrando-o em 2024.

As eleições de 2019 foram as maiores e “mais importantes” dos últimos 20 anos, segundo avaliação de Macron. Ao todo, 426 milhões de europeus foram convocadas à votar. A participação popular foi estimada em 51%, excluindo os eleitores britânicos. Em 2014, a participação no pleito foi de 42,6%.

No Reino Unido, o principal partido eleito foi o eurocético EFDD, com 29 representantes. O país elegeu 73 eurodeputados, que perderão o cargo a partir do momento que o Brexit ocorrer.

Fontes:
The Washington Post-European Parliament elections: Voters deny traditional centrists a majority, boost euroskeptics and Greens
DW-UE terá Parlamento mais verde e populista
BBC-Eleições para Parlamento Europeu: quem são os ganhadores e perdedores e o que isso representa

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    A Europa está se lembrando dos momentos cinzentos da sua era socialista e vendo o que está acontecendo no mundo pobre que ainda vive sob a ladainha da esquerda.

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