Início » Internacional » Parlamento Europeu reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela
PRESSÃO INTERNACIONAL

Parlamento Europeu reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela

Medida eleva a pressão internacional sobre Maduro. Forças do governo venezuelano aumentam a repressão e a censura a jornalistas estrangeiros

Parlamento Europeu reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela
União Europeia pode tomar medida semelhante ainda nesta quinta-feira, 31(Foto: Juan Guaidó/Twitter)

O Parlamento Europeu, da União Europeia, reconheceu nesta quinta-feira, 31, o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como o presidente interino da Venezuela. O reconhecimento é mais um golpe contra a legitimidade de Nicolás Maduro, que enfrenta uma pressão internacional crescente para abandonar o governo.

Com a decisão, o Parlamento Europeu espera que o bloco econômico se posicione de maneira semelhante e também reconheça oficialmente Guaidó como presidente interino. A resolução recebeu 439 votos a favor, 104 contrários e teve 88 abstenções.

“Da Europa, podemos ajudar a mudar o regime venezuelano e fazer entender que tiranos nunca vão conduzir qualquer possibilidade democrática”, afirmou o deputado espanhol Esteban Gonzales Pons.

A União Europeia, por sua vez, ainda não reconheceu Guaidó oficialmente. Porém, na noite do último dia 23 de janeiro, o bloco econômico instou Maduro a realizar “eleições livres e credíveis”. No entanto, o chefe de Estado venezuelano não se mostra aberto à possibilidade de um novo pleito eleitoral.

“Não aceitamos o ultimato de ninguém no mundo, nem aceitamos a chantagem. Houve eleições presidenciais na Venezuela, houve um resultado, e se o imperialismo quer novas eleições que espere até 2025”, afirmou Maduro, segundo noticiou o El País.

Nesta quinta-feira, a Alta Representante para a Política Externa da União Europeia, Federica Mogherini, demonstrou que a União Europeia pode tomar medidas mais concretas contra a Venezuela. Em entrevista à jornalistas, Mogherini revelou que vai se reunir com representantes de Estados-membros do bloco econômico ainda nesta quinta-feira para deixar o posicionamento da União Europeia em relação a Venezuela ainda mais claro.

A Alta Representante, porém, relembrou que nenhum embaixador do bloco compareceu à posse de Maduro, o que mostra que a “UE sempre teve uma posição muito clara sobre a Venezuela”.

Juan Guaidó se autodeclarou presidente interino da Venezuela no último dia 23 de janeiro. Imediatamente após o anúncio, os Estados Unidos e a Organização dos Estados Americanos (OEA) o reconheceram como o chefe de Estado em exercício. Em seguida, outros países, como o Brasil, tiveram posicionamento semelhante.

Por outro lado, países como Turquia, China, Bolívia e Rússia se posicionaram mais próximos, diplomaticamente, de Maduro, não reconhecendo Guaidó como presidente. Outras nações, como México e Uruguai, não tomaram posição, solicitando que o governo e a oposição dialoguem para que a situação da Venezuela seja resolvida.

“A Bolívia é um país pacifista e sempre apostamos no diálogo. Nós reafirmamos nosso apoio à democracia e soberania do povo irmão da Venezuela. Apoiamos uma solução acordada para os problemas, sem interferência imperialista e sem guerras na América Latina”, escreveu o presidente boliviano Evo Morales nas redes sociais.

Internamente, tanto Guaidó quanto Maduro disputam o apoio das Forças Armadas do país. Até o momento, o exército tem ficado ao lado do presidente eleito. No entanto, a pressão internacional, somada às novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra a petrolífera venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA), podem favorecer Guaidó na disputa.

Reconhecido pelo Parlamento

Pelas redes sociais, Guaidó celebrou o reconhecimento do Parlamento Europeu. Categorizando a decisão como um “grande passo em nossa luta pela democracia”, o presidente interino agradeceu o reconhecimento do órgão e destacou a luta pela ordem constitucional na Venezuela.

Segundo a resolução aprovada pelo Parlamento, “Nicolás Maduro usurpou, de forma ilegítima, o poder presidencial”. Como a União Europeia não reconheceu as eleições que tornaram Maduro apto para um novo mandato, o Parlamento Europeu classifica o pleito eleitoral como um “processo ilegítimo”.

Na última quarta-feira, 30, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, já tinha demonstrado que o órgão deveria aprovar o reconhecimento de Maduro. Isso porque Tajani classificou Guaidó como o “único interlocutor” do Parlamento Europeu na Venezuela.

Jornalistas presos

Desde a última semana, quando as manifestações pela saída de Nicolás Maduro se intensificaram, o governo venezuelano aumentou a repressão contra jornalistas internacionais. Dezenas de profissionais da imprensa foram presos e deportados do país. Entre eles, o brasileiro Rodrigo Lopes, do jornal Zero Hora, que já anunciou que não voltará à Venezuela neste governo.

Em seu relato ao Zero Hora, Lopes revelou que foi detido enquanto cobria uma manifestação a favor de Maduro. O jornalista chegou a pedir para entrar em contato com a Embaixada do Brasil, mas os militares apontavam que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, não reconhecia Maduro como chefe de Estado. Ademais, um militar criticou a imprensa brasileira por categorizar Maduro como um “ditador”.

“Não fui agredido fisicamente em nenhum momento entre as 17h46min e 19h47min, período em que fiquei retido, sem comunicação com o exterior, sem passaporte e sem celular, no Centro Estratégico de Seguridad y Protección de la Pátria. Não apagaram as fotos e vídeos de meu aparelho – apenas as que eu próprio havia deletado no momento da abordagem, as cenas do Miraflores. Também não fui algemado”, esclareceu o jornalista, lamentando pelo período de retenção e censura.

Além do brasileiro, jornalistas chilenos, franceses, mexicanos e espanhóis também foram detidos pelas forças governamentais da Venezuela. Pelas redes sociais, o presidente do Chile, Sebastian Piñera, exigiu a liberação dos profissionais da imprensa do país. “A liberdade de imprensa é outra das vítimas na Venezuela. A solução pacífica são eleições livres e democráticas, agora”, escreveu o chefe de Estado.

Pelo Twitter, o programa francês “Quotidien”, transmitido pelo canal TMC, confirmou na última quarta-feira, 30, que dois jornalistas franceses estavam detidos na Venezuela. Os jornalistas estavam em território venezuelano para cobrir a crise política no país. “No momento, é difícil dizer mais com o risco de agravar sua situação”, informou a direção do programa.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, usou as redes sociais para falar sobre as críticas que o governo venezuelano tem recebido por conta das detenções dos jornalistas. Segundo o ministro, os jornalistas não cumpriam “os pré-requisitos mínimos exigidos pela lei venezuelana”. Segundo o chefe da Pasta, os jornalistas teriam entrado no país ilegalmente. “Vários tentaram acessar o Palácio Presidencial sem credenciamento”, afirmou.

Fontes:
Jornal de Notícias-Parlamento Europeu reconhece Juan Guaidó como presidente da Venezuela
G1-Parlamento europeu reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela
DW-Regime chavista intensifica perseguição à imprensa estrangeira

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *