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COMUNISMO

Partido Comunista luta para se manter no poder em Cuba

Por meio de subterfúgios o Partido Comunista de Cuba impede a eleição de candidatos independentes nos pleitos municipais

Partido Comunista luta para se manter no poder em Cuba
Todos os cubanos com mais de 16 anos, exceto os criminosos e os doentes mentais, podem concorrer à Câmara Municipal (Foto: Flickr/Cubadebate)

Se Cuba fosse uma democracia, as eleições municipais realizadas em 26 de novembro teriam dado oportunidade a novos candidatos de participarem da política do país, em antecipação à escolha do novo presidente da República em fevereiro de 2018. Este ano, mais de 200 pessoas apresentaram-se como candidatos “alternativos” à Câmara Municipal, em um desafio ao poder hegemônico do Partido Comunista. Mas o governo impediu que esses candidatos participassem das eleições.

Nas eleições municipais, realizadas a cada dois anos, todos os cubanos com mais de 16 anos, exceto os criminosos e os doentes mentais, podem concorrer a 12.515 assentos da Câmara Municipal dos governos locais. Os vereadores eleitos têm a função de pressionar os governos a consertar buracos nas ruas e estradas e a manter o abastecimento de água, entre outros serviços de infraestrutura. Os candidatos são escolhidos nas reuniões com os vizinhos e seus nomes e/ou número da candidatura são impressos na cédula eleitoral. Em tese, os candidatos não precisam ser filiados ao Partido Comunista.

Mas na prática não existe pluralismo político em Cuba. O governo encontrou meios “extremamente criativos e, às vezes, cômicos” de sabotar a eleição dos candidatos independentes, disse Manuel Cuesta Morua, diretor do Otro 18, um grupo ao qual a maioria deles pertence. Um candidato em Havana recebeu um telefonema de alguém que disse ter uma encomenda para ele de um amigo dos Estados Unidos. Quando foi buscá-lo, a polícia o obrigou a entrar em um carro onde circulou pela cidade até o final do horário de votação.

Um funcionário de uma ferrovia na cidade de Holguín, que havia sido membro do conselho municipal durante dez anos, frustrado com o sistema socialista, associou-se ao grupo Otro 18. Pouco antes do prazo final da indicação de candidatos à eleição municipal em Holguín, ele foi condenado à prisão domiciliar por ter, supostamente, roubado um saco de milho no valor de 23 pesos, o equivalente a menos de um dólar.

O aumento surpreendente no número de candidatos alternativos, de apenas dois em 2015 para mais de 200 em 2017, é o sinal de um movimento cada vez mais disseminado de luta por um regime democrático no país, disse Pablo Díaz Espí, diretor do jornal online Diario de Cuba. Os candidatos, que insistem em afirmar que não são dissidentes, comunicam-se por meio de redes comunitárias, organizações de trabalhadores, agremiações religiosas e grupos de jovens. “Todos sabem que esses candidatos não vão ganhar”, comentou Díaz, “é apenas um teatro, uma pantomima de democracia”.

É pouco provável que essa situação mude por ocasião da eleição por voto indireto na Assembleia Nacional do substituto de Raúl Castro, irmão do líder da revolução cubana, Fidel Castro. O vice-presidente Miguel Díaz-Canel, possível sucessor de Castro, foi enfático ao afirmar em uma palestra recente para militantes do partido que a vitória de candidatos independentes nas eleições municipais seria uma forma de “legitimar a contrarrevolução”. O governo cubano não poupará esforços para impedir que haja uma renovação política no país, mesmo mais sofisticados do que telefonemas falsos e passeios em carros de polícia.

Fontes:
The Economist - Cuba’s Communists bar “alternative” candidates from local elections

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