Início » Internacional » Partido quer inclinar a Espanha para a extrema-direita
EUROPA

Partido quer inclinar a Espanha para a extrema-direita

Se apresentando como um partido nacionalista, anti-imigração e anti-feminismo, o Vox quer ‘fazer da Espanha grandiosa novamente’

Partido quer inclinar a Espanha para a extrema-direita
A Espanha é considerada um território infértil para a extrema-direita (Foto: Flickr/VOX España)

“Faça da Espanha grandiosa novamente”. Foi bradando a plenos pulmões este slogan (o mesmo usado por Donald Trump em relação aos EUA) que cerca de 10 mil simpatizantes da extrema-direita espanhola lotaram o Palácio Vistalegre – uma praça de touros em Madrid transformada em arena multiuso – com bandeiras da Espanha, em apoio ao partido anti-imigração Vox.

Foi a primeira vez que o Vox, que foi fundado há quatro anos, lotou um espaço tão grande. Para Santiago Abascal, líder do partido, trata-se de um sinal de que a legenda – que se apresenta como nacionalista, anti-imigração e anti-feminismo – está deixando a periferia política e avançando em direção ao cenário político dominante.

“Por toda a Europa, as pessoas estão buscando alternativas ao status quo. O mesmo ocorre na Espanha. Temos todos os ingredientes agora para triunfar”, disse Abascal, em entrevista ao Financial Times, citando a ascensão de partidos como o alemão Alternativa para a Alemanha (AfD) e o austríaco‎ Partido da Liberdade.

O Vox ainda é um partido periférico na política espanhola, não tendo conquistado ainda um assento nas eleições nacionais. A Espanha tem sido na Europa um bastião notável pela ausência de partidos eurocéticos (contrários à União Europeia) e de extrema-direita relevantes.

Questiona-se, agora, se o Vox poderia mudar esse cenário. Pesquisas de opinião indicam que o partido pode conquistar de 2% a 5% dos votos nas próximas eleições gerais – previstas para o final de 2020. Porém, Abascal quer testar o alcance do Vox já nas eleições legislativas, que ocorrem em maio de 2019.

Para Abascal, o crescente temor na sociedade em relação a extremistas islâmicos – alimentado após o atentado em Barcelona no ano passado – e o aumento no número de imigrantes originários da África que chegaram à Espanha recentemente deram força às ideias de seu partido.

“Consideramos que podemos conquistar alguns assentos nas próximas eleições. Isso seria um salto inicial para consolidar nossa posição na Espanha”, diz Abascal.

O plano de governo do Vox propõe “100 medidas” para a Espanha, que incluem a deportação de imigrantes ilegais, a revogação da lei contra a violência doméstica, aumentar as restrições para o aborto e marginalizar partidos regionais pró-independência – uma questão que ganhou evidência após a tentativa de separação da Catalunha no ano passado.

Muitos analistas políticos duvidam que o Vox consiga alguma proeminência. Primeiro porque os espanhóis não estão tão preocupados como outros países europeus em relação à imigração. Até recentemente, a maioria dos imigrantes que chegavam á Espanha era originária de culturas similares da América Latina. Segundo, porque a memória do fascismo durante o regime de Francisco Franco, que governou o país de 1936 a 1975, afasta o apoio da sociedade a partidos de extrema-direita.

“A Espanha não é um território muito fértil para a extrema-direita”, diz o cientista político espanhol Jorge Galindo, ao Financial Times.

Além disso, a economia do país se fortaleceu nos últimos anos e a indignação da população em relação ao establishment político – que durante a crise econômica contribuiu para ascensão de partidos com ideias radicais, como o de extrema-esquerda Podemos – se arrefeceu.

Fontes:
Financial Times-Awakening of Spain’s far-right fringe unsettles mainstream parties

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *