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ECONOMIA

Paulo Guedes refuta uso de reservas internacionais

Eventual ministro da Fazenda de Bolsonaro também defendeu a privatização de estatais e a permanência de Ilan Goldfajn na presidência do Banco Central

Paulo Guedes refuta uso de reservas internacionais
As reservas internacionais brasileiras somam US$ 380,3 bilhões (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O provável futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes, homem de confiança do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), negou que planeja usar as reservas internacionais do país. As afirmações foram feitas nesta terça-feira, 30, em resposta a uma reportagem do Valor Econômico.

Segundo a matéria, o economista teria proposto a redução das reservas internacionais do país, que somam US$ 380,3 bilhões, atualmente. Porém, Guedes informou que as informações divulgadas pelo Valor datam de mais de um mês atrás, quando o dólar estava por volta de R$ 4,10. A intenção seria um “ataque especulativo”, fazendo com que a moeda estrangeira chegasse a R$ 5. Essa seria a única possibilidade do uso das reservas.

Paulo Guedes defendeu ainda, na chegada à reunião com Jair Bolsonaro, que o Banco Central seja independente. Ademais, quer que Ilan Goldfajn permaneça no cargo de presidente da instituição, mas admitiu que isso ainda precisa ser debatido.

Como princípios econômicos, Guedes voltou a defender a privatização de estatais, que, segundo ele, viraram “focos de corrupção”. Além disso, reforçou que a prioridade do novo governo será a reforma da Previdência, apontando que o controle de gastos públicos é uma necessidade no país.

Mercosul

Na última segunda-feira, 29, uma declaração de Guedes sobre o Mercosul chamou a atenção de integrantes do bloco. Ao ser questionado por uma jornalista argentina, o economista afirmou que o bloco não é uma prioridade do novo governo.

“O Mercosul não é prioridade. Não, não é prioridade. Tá certo? É isso que você quer ouvir? Queria ouvir isso? Você tá vendo que tem um estilo que combina com o do presidente, né? Porque a gente fala a verdade, a gente não tá preocupado em te agradar”, afirmou Guedes, segundo noticiou a BBC.

Apesar da afirmação ter levantado preocupações e atenção nos membros do bloco, o assunto ainda está sendo tratado com cautela. Isso porque, em outras oportunidades, Bolsonaro já desautorizou declarações do economista. Ademais, autoridades de países integrantes do Mercosul apontam que o assunto é muito importante, e apenas afirmações do chefe do Executivo seriam levadas em consideração.

Félix Peña, diretor do mestrado de Relações Comerciais Internacionais da Universidade Tres de Febrero (Untref), da Argentina, concordou com a cautela acerca do assunto. Isso porque, para Peña, o debate é “tão sério” que só deve ser feito pelo presidente da República ou pelo ministro das Relações Exteriores.

Em entrevista à BBC, o ex-embaixador da Argentina no Brasil Juan Pablo Lohlé disse que as afirmações de Guedes geraram surpresa, mas servem como um alerta para a Argentina, que é o segundo maior país do Mercosul. Isso porque, para Lohlé, o país não deve continuar tão dependente do Brasil como é atualmente – a Argentina é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil em escala global e o primeiro na América do Sul.

“A Argentina não tem plano B. A Argentina acha que, se o Brasil vai bem, ela vai bem também. É preciso resolver isso. Colocar mais energia nisso, procurar novos mercados nos próprios estados brasileiros e em outros países”, disse o ex-embaixador.

Em uma entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, em setembro deste ano, porém, o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Abrão Neto, afirmou que a relação comercial com a Argentina tem desacelerado. O motivo seria a crise econômica argentina.

Fontes:
G1-Paulo Guedes nega intenção de usar reservas internacionais
BBC-Bolsonaro presidente: declarações de Paulo Guedes sobre Mercosul surpreendem membros do bloco

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1 Opinião

  1. Francisco Taborda disse:

    Alguns dizem que cada brasileiro tem um pouco de louco, técnico de futebol e economista, não é verdade? Então, vamos lá:

    Nossas reservas não podem sofrer da síndrome do Tio Patinhas: guardar o dinheiro pelo simples prazer de guardar dinheiro. É preciso dar a essas reservas uma destinação nobre e produtiva. É óbvio que temos de ter reservas substanciais para o caso de uma emergência, mas temos de estabelecer um limite técnico para isto baseado em premissas, fatos e fundamentos econômicos.Para fins de exercício e demonstração de idéia vamos arbitrar que USD 360 bilhões seja um número confortável. Então, hipotéticamente, teríamos USD 20 bilhões que poderiam, ser, por exemplo, destinados a abater parte da dívida interna do país. A grosso modo, esses USD 20 bilhões valem R$ 70 bilhões. Uma taxa SELIC de 6,5% ao ano significa que uma dívida de R$ 70 bilhões nos custa R$ 4,55 bilhões de juros pagos, por ano, aos investidores em papéis da divida. Um movimento deste tipo poderia diminuir o percentual do PIB da dívida interna (um indicador importante da saúde financeira de um país), diminuir os gastos com juros da dívida pública e contribuir para a estabilização da cotação do USD, na medida que este excesso de divisas seria injetado no mercado ao longo de um período adequado (6, 8 ou 10 meses, por exemplo). Parte substancial dos juros economizados poderiam ser destinados a investimentos de infraestrutura de alto retorno de capital. Assim, melhoramos a taxa de investimento, sem descumprir a lei do teto dos gastos. Criaríamos um círculo virtuoso de disciplina fiscal com crescimento de investimento que, certamente, levará a uma queda dos juros pagos pela dívida interna. É logico que teremos alguns efeitos colaterais para gerenciar como aumento do meio circulante, excesso de liquidez, etc… Mas, é para isto que serve o Banco Central e as demais instituições de controle que temos aos borbotões. Criar um clima de confiança, estabilidade e perenidade para as regras é fundamental.

    Poderíamos ter um processo recorrente que destinaria o excesso de reservas para o abatimento da dívida interna sempre que as reservas superasse um determinado teto, num montante que assegurasse um piso mínimo estabelecido tecnicamente. Certamente, isto ajudaria a baixar os juros da dívida, diminuir o déficit do orçamento e, em um futuro (distante), deixar a dívida interna em um patamar adequado à administração de um país moderno, além de contribuir para o crescimento econômico do país.

    Mudando o assunto para o Mercosul. Os exemplos mundo afora nos mostram que o estabelecimento de blocos econômicos é importante. Para comprovar isto, temos a comunidade européia; o NAFTA, ainda reformatado pela trumpconomics; a associação dos países do Pacífico (agora sem os EEUU) e alguns outros de menor expressão. O Mercosul tem seu grau de importancia para os países da América do Sul. Fortalece-lo será importante para melhorar nosso (da América do Sul) poder de barganha e negociação com os demais blocos econômicos. Juntos temos um mercado importante para os outros. Temos produtos que eles precisam e vice versa. Com um Mercosul forte e pujante teremos melhores condições de negociar nossos produtos a o acesso aos nossos mercados. Não é a coisa mais importante a se fazer agora, mas não pode ser negligenciada sob pena de limitar nossas opções no futuro bem próximo. Afinal, governar não é fácil.

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