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REGIÃO AMAZÔNICA

Peru e Colômbia querem formar frente em defesa da Amazônia

Líderes de países que formam a região amazônica se reúnem no dia 6 de setembro. Marcas suspendem importação de couro brasileiro

Peru e Colômbia querem formar frente em defesa da Amazônia
Presidentes Iván Duque, da Colômbia, e Martin Vizcarra, do Peru, revelaram o plano na última terça (Foto: Flickr/Presidencia Perú)

Líderes dos nove países que formam a região amazônica vão se reunir no próximo dia 6 de setembro em Letícia, na Colômbia, para debater estratégias para combater os impactos negativos na Amazônia. A reunião foi convocada pelos governos do Peru e da Colômbia.

Os presidentes Iván Duque, da Colômbia, e Martin Vizcarra, do Peru, revelaram o plano na última terça-feira, 27. De acordo com um comunicado da Presidência peruana, o objetivo é “unir esforços para proteger a Amazônia frente a diversas ameaças”. Ademais, também deve ser debatida uma forma de “desenvolvimento e uso sustentável da região amazônica”.

“Reafirmamos a cooperação entre nossas duas nações para a proteção da Amazônia. Queremos enfrentar conjuntamente problemas como mineração ilegal, extração ilegal de madeira, colheitas ilícitas e tráfico de animais silvestres”, afirmou Duque pelas redes sociais.

Na manhã desta quarta-feira, 28, após uma reunião com o presidente do Chile, Sebastían Piñera, o presidente Jair Bolsonaro confirmou a presença no encontro. De acordo com o mandatário brasileiro, todos os países amazônicos participarão da cúpula, com exceção da Venezuela.

“No dia meia dúzia agora de setembro nós estaremos reunidos com esses presidentes [da região amazônica], exceto com o da Venezuela, para discutirmos uma política única nossa de preservação do meio ambiente, bem como de exploração de forma sustentável da nossa região”, afirmou Bolsonaro.

Além disso, Bolsonaro revelou que receberá o apoio de quatro aviões chilenos especializados em combater incêndio para atuar no controle das chamas na região amazônica. Ademais, o Ministério das Relações Exteriores confirmou ao portal G1 a aceitação da doação de 10 milhões de libras (cerca de R$ 51 milhões) feita pelo governo do Reino Unido para ser empregada na Amazônia.

Por outro lado, Bolsonaro voltou a rejeitar os US$ 20 milhões que seriam doados pelo G7, grupo do qual o Reino Unido também faz parte. Segundo o presidente brasileiro, Alemanha e França estariam comprando o Brasil “à prestação”.

“Quando vocês olham pro tamanho do Brasil, a oitava economia do mundo, parece que US$ 20 milhões é o nosso preço. O Brasil não tem preço. US$ 20 milhões ou US$ 20 trilhões é a mesma coisa para nós. Qualquer ajuda, como disse o Piñera, de forma bilateral, podemos aceitar. Até porque no futuro poderemos ajudar um outro país que tem um problema semelhante”, destacou Bolsonaro.

Durante a entrevista coletiva com jornalistas, Bolsonaro voltou a criticar o presidente da França, Emmanuel Macron, pelos ataques feitos ao longo dos últimos dias. Segundo o chefe de Estado brasileiro, as palavras de Macron ganharam força porque “ele é de esquerda e eu sou de centro-direita”.

No entanto, Macron é um parlamentar de centro-direita do aspecto político Quando eleito, em 2017, vencendo a extremista de direita Marine Le Pen, Macron se apresentou com um discurso de unir a esquerda à direita. Enquanto isso, apesar de se autoafirmar como centro-direita, Bolsonaro é considerado um político de extrema-direita por analistas políticos, assim como a sigla PSL, da qual faz parte.

A rejeição dos US$ 20 milhões oferecidos pelo G7, porém, não é unanimidade em todas as esferas de governo. Além dos opositores de Bolsonaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também se posicionou contra a não-aceitação do valor oferecido.

“O que nós temos que decidir é, recebendo os recursos, ter regras, de um país soberano como o nosso, da execução desses recursos, isso que é importante. Agora, não devemos abrir mão desses recursos. Acho que o conflito acabou indo para o lado pessoal entre os dois presidentes. Isso não é bom para o Brasil e não é bom pra França. A França tem muitos investimentos no Brasil, e as empresas francesas geram muito emprego aqui”, destacou Maia.

Ao todo, nove países sul-americanos formam a região amazônica. São eles: Brasil, Peru, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Suriname, Guiana e Guiana Francesa – um departamento ultramarino da França.

Macron e governadores

Enquanto Bolsonaro rejeita a ajuda financeira oferecida pelo G7, Macron pode se reunir com governadores de estados da região amazônica, segundo informou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). De acordo com o parlamentar, a informação foi recebida diretamente na embaixada da França no Brasil, que demonstrou interesse em promover o encontro.

“Se o governo brasileiro não quer, posso afirmar que estados como o Pará e o Amapá querem e necessitam. Afinal, não é vergonhoso pedir ajuda. Um país que tem dificuldades para dar conta de um problema desta natureza não pode se dar ao luxo de desperdiçar US$ 20 milhões”, destacou Rodrigues, segundo noticiou o portal Congresso em Foco.

Impacto no mercado

Na última terça-feira, o Centro de Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente uma carta aberta revelando um boicote internacional à importação de couro brasileiro. De acordo com o documento, compartilhado pelo senador Randolfe Rodrigues, o motivo seria as queimadas na região amazônica.

“Para uma nação que exporta mais de 80% de sua produção de couros, chegando a gerar US$ 2 bilhões em vendas ao mercado externo em um único ano, trata-se de uma informação devastadora”, diz o documento.

Em seguida, o CICB admite que a justificativa dada pelos clientes deve-se à “uma interpretação errônea” do que “realmente acontece no Brasil”. “Porém, é inegável a demanda de contenção de danos à imagem do país no mercado externo sobre as questões amazônicas”. Pelo menos 18 marcas internacionais já suspenderam a compra de couro brasileiro.

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