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Peru enfrenta aumento na taxa de pobreza

Em 2017, a taxa de pobreza aumentou para 22%, o que significa um acréscimo de 375 mil pessoas com poucos meios de sustento na sociedade

Peru enfrenta aumento na taxa de pobreza
O combate eficaz à pobreza só será possível com o incentivo ao desenvolvimento econômico (Foto: bobistraveling/Flickr)

Como é a vida de pessoas de baixa renda no Peru? Gonzalo Sánchez, um pai solteiro com problemas de saúde e que se sustenta com o salário de professor de meio período em uma universidade pública, e com um filho estudante de design, muitas vezes não tem dinheiro para fazer uma refeição à noite. Manuela Cuevas consegue pagar suas despesas mensais graças aos trabalhos eventuais do marido aposentado e ao salário do genro como gerente de uma empresa de segurança. Gina Palomino, com sua família de três filhos, vive com uma pequena renda proveniente de contratações temporárias de trabalho do marido na construção civil e de seu trabalho como vendedora ambulante de frutas pelas ruas da cidade, agora interrompido por uma nova gravidez. Neste artigo da revista The Economist os personagens têm nomes fictícios, mas as condições de vida são bem reais.

Desde o início deste século, o Peru teve um extraordinário sucesso na redução da pobreza, mais do que qualquer outro país da América Latina, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, que define a linha de pobreza por uma renda mensal per capita de menos de 338 soles (US$ 103), a parcela da população de baixa renda diminuiu de 55% em 2001 para 21% em 2016.

O rápido crescimento econômico e, mais recente, melhores programas sociais foram responsáveis em grande parte pela redução da pobreza. Mas em 2017 a taxa de pobreza aumentou para 22%, o que significa um acréscimo de 375 mil pessoas com poucos meios de sustento na sociedade.

O aumento é pequeno, mas preocupa os analistas econômicos. Ao contrário de alguns de seus vizinhos, a economia do Peru ainda está crescendo em um ritmo regular, com uma expansão de 4% em 2016 e de 2,5% em 2017. Há alguns anos, a taxa de pobreza teria diminuído com o aumento do crescimento, o que mostra que outros fatores estão interferindo na luta contra a desigualdade social e econômica.

Mas o Peru não é um caso isolado na região. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), entre 2014 e 2017 a taxa média de pobreza em 18 países aumentou de 28,5% para 31,7%. Esse aumento foi resultado em grande parte da recessão no Brasil e da profunda crise econômica e política na Venezuela. Porém, também foi o reflexo do fim de uma fase de rápido progresso social na América Latina.

O combate eficaz à pobreza só será possível com o incentivo ao desenvolvimento econômico. No caso do Peru, a expansão do setor de mineração estimularia o crescimento econômico e reduziria a pobreza, com a geração de empregos e de programas sociais em áreas dos projetos de extração de minérios. Além disso, tanto no Peru quanto em outros países da região, os governos precisam investir no aumento da produtividade e na diversificação da economia para reduzir a pobreza em médio e longo prazo.

No Peru, a pobreza na região rural teve uma redução drástica, graças ao progresso dos meios de comunicação, como observou Richard Webb, ex-presidente do Banco Central. A descentralização administrativa deu autonomia orçamentária aos prefeitos de cidades pequenas para construir ou melhorar as estradas. A expansão das redes de telefonia móveis na área rural possibilitou a comunicação direta dos fazendeiros com os mercados. Mas, segundo Carolina Trivelli, ex-ministra do Desenvolvimento Social, 70% da população peruana de baixa renda vive em cidades com menos de 20 mil habitantes e metade dessa população depende da agricultura como fonte de renda.

O aumento da pobreza no Peru coincidiu com a turbulência política no país. O governo de Pedro Pablo Kuczynski eleito em 2016, não teve força política para estimular o crescimento econômico, nem para promover o desenvolvimento social. Após a renúncia de Kuczynski em março devido à acusação de envolvimento com a construtora Odebrecht, seu substituto, o vice-presidente Martín Vizcarra, declarou que o aumento da pobreza era “inaceitável”. Mas para revertê-la será preciso criar políticas públicas eficazes a fim de diminuir a desigualdade econômica e social, com reflexos nos serviços básicos oferecidos à população como saúde pública, educação e acesso ao mercado de trabalho.

Fontes:
The Economist-A warning on poverty from Peru

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