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NOVO ESTUDO

Pesquisa associa olfato sensível à tendência ao preconceito

Uma nova pesquisa realizada com voluntários do mundo inteiro associou a sensibilidade a cheiros a tendências políticas mais reacionárias

Pesquisa associa olfato sensível à tendência ao preconceito
Estudo ainda mostrou que pessoas com olfato mais sensível votaram em Donald Trump (Foto: Flickr)

Os seres humanos, assim como outros animais, aprenderam, em seu processo evolutivo, a detectar e evitar fontes de infecção, desde alimentos estragados a membros doentes de suas espécies. Esse mecanismo de defesa do organismo diante de estímulos sociais e físicos tem influência no comportamento individual. Estudos mostraram que as pessoas com o olfato mais sensível têm, em geral, preconceitos raciais e homofóbicos. Por sua vez, as pessoas que vivem em regiões mais sujeitas à transmissão de doenças, são menos promíscuas e sociáveis, porque o contato com pessoas de sua comunidade pode ser um foco de disseminação de doenças.

Todas essas teorias incentivaram Marco Liuzza, da Universidade Magna Graecia de Catanzaro, na Itália, e seus colegas a pesquisar se haveria um vínculo entre a sensibilidade de uma pessoa a cheiros com convicções políticas de extrema-direita.

Em um artigo recém-publicado na revista científica  Royal Society Open Science, Liuzza e sua equipe descreveram o método usado em seu estudo para comprovar a teoria da associação do olfato a tendências políticas. Os pesquisadores elaboraram uma escala de rejeição a cheiros (BODS), baseada em perguntas aos voluntários como reagiam, por exemplo, ao cheiro dos pés de um amigo sentado ao seu lado. A partir da análise dessa escala, os pesquisadores analisaram a reação, em uma escala de um a cinco, das pessoas aos cheiros desagradáveis.

Em uma etapa posterior, a equipe recrutou 201 voluntários que prestam serviço ao site Amazon Mechanical Turk, no qual pessoas do mundo inteiro fazem pequenas tarefas em troca de dinheiro. Os voluntários responderam às perguntas do questionário BODS e, de acordo com a pontuação deles, os pesquisadores avaliaram até que ponto eles simpatizavam com opiniões conservadoras e autoritárias, como, por exemplo, “Nosso país precisa de um líder forte, capaz de eliminar as ideias radicais e imorais predominantes na sociedade atual”. Em seguida à análise dos resultados, os pesquisadores confirmaram que o olfato mais sensível ao mau cheiro influenciava a tendência ao conservadorismo e ao pensamento autocrático.

Como o trabalho da equipe foi desenvolvido durante a campanha presidencial de Donald Trump em 2016, os pesquisadores estenderam o estudo ao comportamento dos eleitores americanos. Haveria entre os partidários de Trump uma sensibilidade maior a cheiros desagradáveis?

A fim de testar essa ideia, Liuzza e seus colegas recrutaram 159 voluntários americanos e repetiram o experimento. Os resultados foram semelhantes aos experimentos anteriores. As pessoas mais sensíveis a cheiros eram mais conservadoras e simpatizavam com regimes políticos autocráticos. Por fim, a equipe recrutou mais 391 voluntários para comprovar a correlação entre a pontuação na escala BODS e a intenção de voto em Donald Trump. Como previsível, as pessoas com o olfato mais sensível votaram no candidato republicano.

Fontes:
The Economist - How your sense of smell may affect your politics

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    Adoro pesquisas:

    O estudo parte da premissa equivocada que pessoas conservadoras são autoritárias. Sendo que na verdade os regimes revolucionários é que se baseiam na autoridade do líder. Mas não é só esse absurdo:

    “Estudos mostraram que as pessoas com o olfato mais sensível têm, em geral, preconceitos raciais e homofóbicos”.
    De onde é que tiraram isso? A única conclusão possível, dadas as inferências, é que pessoas não conservadoras são fedorentas e precisam tomar banho.

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