Início » Internacional » Pesquisa e coleta de espécies vegetais ainda sofrem com burocracias
Barreiras burocráticas

Pesquisa e coleta de espécies vegetais ainda sofrem com burocracias

O estudo da flora e a coleta de espécies vegetais não são atividades tão perigosas como antes, mas é preciso persistência para vencer as barreiras burocráticas

Pesquisa e coleta de espécies vegetais ainda sofrem com burocracias
Pesquisa e coleta de espécies vegetais atraem pessoas que gostam de aventuras (Fonte: Reprodução/Getty Images)

Há muito tempo a pesquisa e a coleta de espécies vegetais atraem pessoas que gostam de aventuras. Em Bornéu, na década de 1960, John Wood, agora um professor da Universidade de Oxford, arrancava as sanguessugas que se agarravam às suas pernas com um facão. Nos anos de 1970, quando eclodiu a guerra civil no Líbano, Geoff Hawtin, atualmente membro do Conselho de Administração do Royal Botanic Gardens em Kew, transportou um carregamento de legumes por uma estrada minada até a fronteira com a Síria (e vice-versa quando a encontrou fechada). Daniel Debouck, um colecionador de feijões belga que vivia na Colômbia, por pouco não foi capturado pelos narcotraficantes no México e por guerrilheiros no Peru, na década de 1980.

De acordo com as estimativas dos botânicos, existem 80 mil espécies selvagens de plantas ornamentais, com flores e folhagens distintas ainda a serem descobertas. Mas a escassez de recursos dificulta a pesquisa. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas assinada em 1992 e ratificada por 195 países e pela União Europeia, dificultou ainda mais o processo de pesquisa e coleta. Nos termos da convenção, a diversidade biológica faz parte do patrimônio nacional dos países e, portanto, a biopirataria, a exploração, a manipulação e/ou a comercialização de recursos biológicos, sem a devida indenização aos países onde esses recursos se encontram, é proibida.

Com essas normas a exploração de recursos biológicos ficou mais equânime, porém, ao mesmo tempo, as regras dificultaram a coleta de espécies vegetais. Alguns funcionários anteviram a possibilidade de enriquecer. “De repente, as pessoas começaram a supervalorizar a flora local”, disse Hawtin. Conseguir permissão para fazer uma viagem de exploração e coleta ficou quase impossível. “Qualquer pessoa podia dizer não e poucas aprovavam a viagem.”

As autorizações são imprescindíveis, mas em países mais pobres nem sempre existem ministérios do Meio Ambiente para emiti-las. Os pesquisadores veem com frequência seus pedidos circulando por diversos departamentos, onde funcionários relutantes evitam se comprometer. “Ninguém quer ser acusado por um jornal local de ajudar os biopiratas”, observou Hawtin.

Porém os botânicos insistentes conseguiram conquistar a confiança de alguns governos. Agora é bem mais fácil obter aprovação para viagens do que na década de 1990, embora muitas vezes com restrições quanto às espécies que podem coletadas.

Fontes:
The Economist - Botany and bureaucracy: A dying breed

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *