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Saúde

Pesquisadores desenvolvem medicamento que pode desacelerar os efeitos do Alzheimer

Um vislumbre de esperança na luta contra uma doença terrível

Pesquisadores desenvolvem medicamento que pode desacelerar os efeitos do Alzheimer
Solanezumab poderia retardar a formação das placas e dar alguns anos a mais de lucidez aos pacientes com Alzheimer (Foto: Flickr)

A doença de Alzheimer, além de ser incurável, ainda não tem tratamentos eficazes. Medicamentos como Aricept proporcionam um alívio temporário, mas não detêm sua evolução. Por esse motivo, houve um clima de grande entusiasmo entre pesquisadores e jornalistas, que assistiram à palestra “Delayed Start Studies in the Assessment of Potential Disease Modifying Effect” realizada em 22 de julho na conferência internacional da Alzheimer’s Association, em Washington, D.C. Nessa palestra os pesquisadores que trabalham para Eli Lilly, uma grande empresa do setor farmacêutico, anunciaram a descoberta de um remédio que retarda a progressão da doença.

O novo medicamento chamado Solanezumab é um anticorpo monoclonal que tem a capacidade de impedir o desenvolvimento das placas de proteínas beta-amilóide e dos emaranhados neurofibrilares causados pela proteína tau, que se acumulam no cérebro e provocam a doença. Os pesquisadores tinham a expectativa, quando começaram o estudo, que o Solanezumab poderia retardar a formação das placas e dar alguns anos a mais de lucidez aos pacientes com Alzheimer.

Quando o laboratório Lilly testou o medicamento em 2012, houve poucos sinais de sucesso, exceto em pacientes no estágio inicial da doença, que tiveram uma evolução mais lenta no processo de deterioração mental. Em seguida, os cientistas da empresa concentraram suas pesquisas nesse grupo e descobriram algo mais promissor.

Nos testes posteriores realizados há três anos e meio, os 1.300 pacientes foram divididos em dois grupos. Um deles começou a ser medicado com Solanezumab imediatamente. Os outros tomaram um placebo nos primeiros 18 meses dos testes e há dois anos estão sendo tratados com Solanezumab.

Nos testes cognitivos que usam uma escala quantitativa para avaliar os efeitos da demência, os que tinham tomado o placebo tiveram um resultado pior na evolução da doença. Mas, assim que começaram a ser tratados com o Solanezumab, sua taxa de declínio diminuiu e, por fim, igualou-se ao nível dos pacientes que haviam sido medicados com o remédio desde o início. O anticorpo, ao que tudo indica, retardou o progresso da doença. Ainda há um longo caminho a percorrer até a descoberta da cura do Alzheimer. No entanto, a pesquisa do laboratório Lilly pode ajudar a encontrá-la. Talvez um anticorpo diferente, ou uma combinação de anticorpos, tenha um efeito maior.

Fontes:
The Economist - Flattening the slope

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