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PALEONTOLOGIA

Pesquisadores encontram fóssil de dinossauro no Ceará

Fóssil é de um dinossauro da espécie dos espinossauros, que viveu no período Cretáceo, entre 145 milhões e 83 milhões de anos atrás

Pesquisadores encontram fóssil de dinossauro no Ceará
O fóssil é o maior da espécie dos espinossauros encontrado no Brasil (Foto: Júlio Lacerda/UFSCar)

Pesquisadores brasileiros encontraram um fóssil de dinossauro que viveu no período Cretáceo, entre 145 milhões e 83 milhões de anos atrás. A descoberta foi publicada na revista científica Cretaceous Research, que é referência internacional na área de paleontologia.

O fóssil foi encontrado no Ceará, no nordeste do Brasil, por paleontólogos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele é de um dinossauro da espécie dos espinossauros.

Segundo os pesquisadores, a descoberta é importante para se entender melhor o processo de evolução dos espinossauros, que são raros no mundo. Acredita-se que o fóssil descoberto pertenceu a um espécime com mais de 10 metros, que ainda estava em fase de crescimento.

Isso o torna o maior da espécie já descoberto no Brasil. Anteriormente, dois fósseis descobertos na Chapada do Araripe, no nordeste do país, eram de espinossauros com seis e oito metros de comprimento.

Os espinossauros são uma das maiores espécies de dinossauros existentes na história. A descoberta comprovou que os ossos da espécie eram mais densos do que o normal, o que já havia sido notado no fóssil do Spinosaurus aegypticus, do Marrocos, registrado em 2014 – um dos mais famosos da espécie.

A densidade óssea, natural em animais com estilo de vida semiaquático, foi descrita pela primeira vez com a descoberta em 2014, o que contraria a tendência evolutiva, segundo os pesquisadores. Isso porque a tendência é que dinossauros carnívoros desenvolvessem ossos mais leves, auxiliando na locomoção da caça.

“O espinossaurídeo deste trabalho é um parente bem próximo do marroquino, descrito em 2014, só que é, pelo menos, 10 milhões de anos mais antigo. […] Pode ser que os espinossauros brasileiros tenham sido os primeiros a adotarem esse estilo de vida [semiaquático]. Agora é preciso investigar em outras espécies ainda mais antigas”, afirmou o pesquisador Tito Aureliano, um dos líderes da pesquisa, que é professor da Unicamp e associado ao Laboratório de Paleontologia e Paleoecologia (LPP) da UFSCar.

Apesar de gigantes, já que algumas espécies de espinossauros tinham mais de 13 metros de comprimento, os formatos do crânio e dos dentes indicam que eles se alimentavam principalmente de peixes. Além disso, os espinossauros também comiam pterossauros, um tipo de réptil alado.

“Enquanto a maioria evoluiu para formas com esqueletos mais leves, até o extremo observado em aves, os espinossauros desenvolveram uma forma de deixar o esqueleto mais pesado. Isso os ajudava a ocupar um nicho diferenciado”, explicou a pesquisadora do LPP Aline Ghilardi, pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da UFSCar e também uma das líderes do estudo.

A descoberta levantou muitos outros questionamentos para os pesquisadores, que tentam entender melhor a evolução e adaptação dos espinossauros. “Precisamos saber, por exemplo, se essas adaptações ao estilo de vida semiaquático nos espinossauros estão relacionadas à formação de um grande sistema de lagos entre a América do Sul e a África durante o início da abertura do que hoje é o Oceano Atlântico, e se a evolução de tamanhos gigantes nesses animais tem associação com a adoção do hábito de vida semiaquático, de forma similar ao que ocorreu com as baleias”, concluiu Ghilardi.

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