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Pesquisas de opinião nunca erraram tanto

O avanço de tecnologias da comunicação ameaça a precisão das sondagens eleitorais

Pesquisas de opinião nunca erraram tanto
Urnas vêm produzindo resultados diferentes das pesquisas (Foto: Reprodução/Internet)

A vitória expressiva do Partido Conservador nas eleições de quinta-feira, 7, no Reino Unido, contrariou inúmeras pesquisas de opinião feitas no país ao longo da campanha eleitoral. Uma maioria absoluta de um só partido era algo inesperado, uma vez que todas as sondagens apontavam uma disputa acirrada entre os conservadores e os trabalhistas, que apareciam com um terço dos votos cada. Então, como explicar a distância entre as previsões e os resultados? Não é a primeira vez que sondagens são redondamente desmentidas por resultados eleitorais, e o problema não se limita aos ingleses.

Quem não se lembra do primeiro turno das eleições do ano passado no Brasil, quando o tucano Aécio Neves superou expectativas e ficou com 33% dos votos, distante 12 pontos de Marina Silva, do PSB. O suposto empate entre os dois principais rivais da presidente, apontado pelas últimas pesquisas, simplesmente não se confirmou, levando Aécio ao segundo turno.

Pesquisas sempre foram problemáticas. É possível obter respostas muito diferentes dependendo de como se formula uma pergunta. Problemas de amostragem surgem quando as pessoas que não são escolhidas para participar das pesquisas, ou aquelas que se recusam a responder, são sistematicamente diferentes do resto da população.

A segunda metade do século 20 foi a era de ouro das pesquisas de opinião. Mas, ao fim do século, mudanças tecnológicas começaram a ameaçar a precisão dessas sondagens. Identificadores de chamadas, secretárias eletrônicas e uma nova geração que considera o telefone fixo uma barbárie inútil dificultaram a obtenção de dados confiáveis. A rotina do trabalhador moderno também comprime o tempo de lazer em algumas horas estreitas, durante as quais as pessoas são menos propensas a atender a uma chamada não solicitada. Isso também se deve, em parte, à proliferação das chamadas robóticas feitas pelas empresas de pesquisas.

Se as urnas produzem resultados consistentemente errados um ou dois dias antes das eleições, isso pode indicar que os eleitores são extremamente inconstantes e propensos a mudar de ideia no último momento, mas um projeto de pesquisa de opinião defeituoso é a explicação mais provável. Ajustar amostras, rastreando de forma mais ativa os prováveis eleitores e revendo os métodos de coleta de dados são parte do dever de casa dos sociólogos depois de um fracasso como o último, no Reino Unido, se os sociólogos pretendem manter a relevância de suas pesquisas e satisfazer seus clientes na próxima grande eleição.

Fontes:
Bloomberg - Pollsters are worse than ever

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