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EPIDEMIA

Peste suína já matou 100 milhões de porcos na China

Governo da China anunciou medidas enérgicas para conter os efeitos de uma epidemia que já eliminou um terço do rebanho do país

Peste suína já matou 100 milhões de porcos na China
A China é o maior mercado de carne suína do mundo (Foto: Pixabay)

A peste suína africana (PSA), uma doença altamente contagiosa, eliminou um terço do rebanho de porcos da China e as autoridades estão discutindo medidas enérgicas e urgentes para combater seus efeitos.

A China é o maior mercado de carne suína do mundo. O surto da PSA é uma ameaça à cadeia global de fornecimento de carne suína. Além disso, a carne de porco é um elemento básico na alimentação dos chineses e devido à sua escassez os preços têm sofrido aumentos constantes. 

O preço que os varejistas pagam pela carne de porco aumentou quase 70% no ano passado. E o preço médio que os atacadistas pagam aos fornecedores aumentou 90% na última semana de agosto em comparação com o mesmo período em 2018, segundo dados do governo. Analistas preveem aumentos ainda maiores.

Em 4 de setembro, o governo anunciou novas medidas para incentivar os criadores de porcos a aumentar seus rebanhos, como a concessão de subsídios e empréstimos, além de cobertura de seguro para fazendas de criação de suínos.

O governo estuda a liberação das reservas de emergência de carne de porco congelada para equilibrar o mercado. O porta-voz do Ministério do Comércio, Gao Feng, disse na última semana de agosto que o órgão “está acompanhando a evolução do mercado e que em breve anunciará sua decisão”.

Segundo dados divulgados no início de setembro pelo Ministério da Agricultura, a peste suína africana matou mais de 100 milhões de porcos no ano passado. A situação agravou-se, porque os criadores de porcos não aumentaram os rebanhos para compensar a perda.

Com o objetivo de acelerar a reprodução dos animais, o Ministério da Economia liberou verbas para os governos locais investirem em mais programas de inseminação artificial. 

As medidas do governo para enfrentar a crise geraram otimismo entre os investidores. As ações da empresa chinesa WH Group (WHGLY), a maior processadora de carne do mundo, subiram 7,9% na Bolsa de Valores de Hong Kong. As ações da China Yurun Food Group e da COFCO Meat Holdings tiveram um aumento de 3,2% e 3%, respectivamente. 

Como uma forma de equilibrar a escassez da oferta, em algumas cidades os moradores têm uma cota limite de compra de carne de porco, como em Nanning onde os habitantes só podem comprar 1 kg de carne por dia. E a fim de estimular o consumo, mesmo racionado, alguns fornecedores oferecem descontos na compra de carne suína.

De acordo com um relatório recente de analistas da empresa Soochow Securities, o preço da carne suína pode atingir o valor de 30 yuanes (US$ 4,20) por quilo nos próximos meses, um aumento de 40% em relação ao valor atual.

Na avaliação do economista Matteo Lagatti do banco de investimento Rabobank, a produção de carne de porco da China pode diminuir em 25% este ano, o que significa que o país precisará importar 1,5 milhão de toneladas de carne suína para atender a demanda interna.

Lagatti avalia também que a Europa concentrará a maior parte das exportações de carne suína para a China, “uma tendência que deve continuar em 2020″, escreveu em um comunicado no início de setembro.

O volume das importações chinesas de carne de porco de países europeus aumentou 54% no primeiro semestre deste ano. A Espanha, Alemanha, Dinamarca, Holanda e França lideram as exportações.

Fontes:
CNN-China could release emergency pork reserves after losing 100 million pigs to swine fever

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