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PROTESTO NA ALEMANHA

Pilotos alemães se recusam a deportar refugiados

Mais de 200 voos marcados para deportar refugiados foram cancelados por conta da recusa dos pilotos de participar da operação

Pilotos alemães se recusam a deportar refugiados
A maioria dos voos (140) partiria do Aeroporto de Frankfurt (Foto: Wikimedia)

Há dois anos, a chanceler alemã, Angela Merkel, abriu as fronteiras de seu país aos refugiados – a maioria deles proveniente da Síria. Desde então, a extrema-direita avançou na Alemanha, enquanto Merkel parece estar perdendo o controle do país.

Porém, se na política a intolerância avançou, entre os cidadãos alemães ocorreu o oposto: muitos se recusam a dar as costas para a questão dos refugiados. Prova disso é um levantamento divulgado pelo portal Deutsche Welle, um dos principais da Alemanha.

Segundo dados divulgados pelo portal, em 2017, um total de 222 voos marcados para repatriar refugiados do Afeganistão que tiveram o pedido de asilo rejeitado pelo governo foram cancelados por conta da recusa de pilotos de avião em fazer a deportação.

Dos 222 voos cancelados, 85 eram operados pelas linhas aéreas Lufthansa ou Eurowings. A maioria dos voos (140) partiria do Aeroporto de Frankfurt, o maior do país. Outros 40 voos sairiam do Aeroporto de Dusseldorf, cidade onde o Welcome United, um movimento contra a deportação de requerentes de asilo, costuma realizar protestos.

O protesto dos pilotos alemães cria mais obstáculos para o processo de deportação da Alemanha. Por causa de seu passado nazista, o governo federal da Alemanha é proibido por lei de promover deportações diretamente. Elas são repassadas aos estados e, depois, para autoridades locais.

A Alemanha é o país com mais processos de pedido de asilo. Segundo o Bundesamt für Migration und Flüchtlinge (BAMF), o departamento alemão de imigração, em 2017 o país aceitou quase 170 mil pedidos de asilo e negou cerca de 210 mil. No entanto, quase um em cada dois casos de asilo negados foram alvo de recurso. Do total de recursos analisados, um em cada quatro resultou na reversão da decisão. Os processos custaram ao governo alemão 19 milhões de euros (cerca de R$ 73 milhões).

Para reduzir esse custo, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, propôs um programa que prevê o pagamento de 3 mil euros (cerca de R$ 11 mil) para cada requerente de asilo que tiver o pedido rejeitado como incentivo para que aceitem voluntariamente a deportação, em vez de entrar com recurso na Justiça. O programa está previsto para iniciar em fevereiro de 2018.

A Anistia Internacional critica os esforços de deportação entre os países europeus. A organização considera que os processos de deportação de requerentes de asilo para o Afeganistão colocam quase 10 mil pessoas em risco de morte. Segundo a organização, “nenhuma região do Afeganistão está segura, e eles (os governos europeus) estão colocando pessoas em risco de tortura, sequestro, morte e outras atrocidades”. As repatriações forçadas para o Afeganistão promovidas na Europa incluem crianças e adolescentes menores de idade.

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