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Águas perigosas

Pirataria no sudeste asiático

O Sudeste da Ásia substituiu a Somália como a capital da pirataria no mundo

Pirataria no sudeste asiático
O estreito de Malaca é a rota de passagem de cerca de um terço do comércio marítimo mundial (Foto: Wikipedia)

Oito homens armados com pistolas e facões embarcaram no navio-petroleiro Orkim Harmony no início da noite de 11 de junho. O navio transportava 6 mil toneladas de petróleo avaliadas a um custo de mais de US$5 milhões ao preço de mercado. O navio estava chegando ao fim de uma viagem ao redor do extremo sul da Malásia, de Malaca na costa oeste do país para o porto Kuantan a leste. Os piratas prenderam a tripulação e tiraram três letras do nome do navio presas ao casco, para que ficasse com o novo nome de Kim Harmon. Em seguida, partiram para o norte em direção ao Camboja à procura de um porto onde pudessem descarregar sua carga.

Quando o navio foi encontrado sete dias depois, os sequestradores advertiram a polícia que poderiam pôr em risco a vida dos reféns se os atacassem, e fugiram em um bote salva-vida com tudo que conseguiram saquear. A tripulação escapou incólume ao sequestro, com exceção do cozinheiro que foi levado de avião para um hospital depois de ser baleado na coxa.

O ataque ao Orkim Harmony foi o último de uma série de sequestros nos mares do Sudeste da Ásia, onde o estreito que separa Cingapura e a Malásia da Indonésia é a rota de passagem de cerca de um terço do comércio marítimo mundial. Em 2014 15 navios foram atacados por piratas, um número bem superior ao do ano anterior, segundo o International Maritime Bureau; só nos últimos seis meses nove navios foram vítimas de sequestros. Esses incidentes são o sintoma mais alarmante do aumento da pirataria na região, desde pequenos furtos nos portos a roubos mais audaciosos no mar. Depois de uma iniciativa internacional que diminuiu o ataque de piratas nos mares da Somália, o Sudeste da Ásia resgatou sua antiga reputação de capital da pirataria no mundo.

Há dez anos os países do Sudeste da Ásia conseguiram reprimir a atividade dos piratas, graças em parte à ação coordenada do patrulhamento naval no estreito de Malaca, na costa sudoeste da Malásia. Mas, desde então, os incidentes recentes ocorreram perto de Cingapura, onde os canais com um movimento intenso permitem que os piratas se escondam sem dificuldade; o mesmo acontece na área sudoeste mais selvagem e escondida do Mar da China Meridional.

Ao contrário dos piratas somalis, que sequestravam a tripulação para depois negociar o resgate e, com frequência, também raptavam o navio, os piratas do Sudeste Asiático querem roubar petróleo, óleo de palma e produtos químicos de pequenos navios-petroleiros mais lentos e quase sempre liberam o navio e a tripulação, assim que terminam a pilhagem.

Fontes:
Economist-Malacca buccaneers

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Não mexam com esse piratas, pois pode haver menores de 18 anos envolvidos e aí teremos 102 deputados federais brasileiros em pé de guerra.

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